Globo de Ouro 2018: As mulheres do cinema não serão mais caladas

A 75º edição do Globo de Ouro foi palco de um momento histórico para a indústria do entretenimento e para os movimentos de luta pelos direitos das mulheres. Depois dos vários escândalos e denúncias de assédio em Hollywood no final do ano passado, diversas atrizes e figuras públicas uniram-se para tomar medidas concretas contra esses abusos e ajudaram na criação do movimento Time’s Up.

Quase todos os convidados vestiram-se de preto em apoio a causa e perguntas sobre estilistas ou dietas foram eliminadas do tapete vermelho, deixando alguns apresentadores claramente fora do seu elemento durante as entrevistas. Ao serem entrevistadas pelo Canal E! as atrizes Debra Messing e Eva Longoria não hesitaram em abordar ao vivo o caso de diferença salarial praticado pela emissora, que se recusou a pagar para apresentadora Catt Sadler o mesmo que recebia o seu colega homem.

Atrizes como Meryl Streep, Michelle Williams e Emma Watson levaram como acompanhantes ativistas de movimentos em prol das mulheres para falar de seus trabalhos e abordaram assuntos como igualdade salarial e representatividade racial e feminina. Assim elas deixaram claro que não se trata de um movimento apenas para as mulheres no cinema e sim uma mobilização para conscientizar sobre o assédio sexual da mulher em qualquer ambiente de trabalho, ou seja, é um problema global que elas agora ajudam a debater e divulgar com sua enorme influência.

Foi um Globo de Ouro diferente de qualquer outro, repleto de ativismo e comentário político. E ele estava apenas começando. Durante o prêmio quase todos os discursos das ganhadoras abordaram de alguma forma a questão dos direitos das mulheres. Laura Dern, vencedora por seu papel na série Big Little Lies, que fala justamente da violência contra a mulher, pediu que se quebrasse a cultura de silêncio em torno dos casos de abuso.

Mas foi o discurso de Oprah Winfrey, que recebeu o Prêmio Cecil B. DeMille, o mais emocionante, o que melhor resumiu o clima da noite e aquele que precisa ser visto e revisto:

Oprah, mulher negra que sobreviveu à violência sexual e pobreza na infância, é certamente uma embaixatriz digna para dar rosto ao início de um movimento que chega para aumentar a conscientização e o apoio a questões que tem sido batalhas para mulheres durante muito tempo. Espera-se que essa exposição oferecida pela indústria do entretenimento ajude a transformar uma cultura que insiste em dar um valor menor à mulher.

Agora o desejo é que o Time’s Up ganhe mais força e continue angariando apoio e fazendo sua divulgação durante a temporada de premiações, culminando nos prestigiados Oscars. Afinal, é maravilhoso curtir os prêmios do cinema como um período de entretenimento e conversa sobre a Sétima Arte, mas é ainda mais emocionante e importante vê-los como palco de discussões. Acabou o tempo do silêncio, agora é a hora da mudança.