Séries brasileiras na Netflix: 3%, O mecanismo e Samantha!

A Netflix tem começado a investir no conteúdo audiovisual nacional em formato séries. Com um espaço ínfimo de produções cinematográficas no catálogo, a gigante do streaming tem visto nas séries uma forma de angariar o público nacional, investindo em diversidade de gênero e de linguagem.

Sua primeira empreitada nesse sentido foi a série 3%, criada por Pedro Aguilera e lançada na plataforma no final de 2016. Depois de viralizar no YouTube com um piloto dividido em três partes, a Netflix comprou os direitos da história e desenvolveu a série que, embora tenha recebido duras críticas no Brasil, em especial pela frágil estrutura de roteiro, ganhou grande repercussão fora do país, chegando a ocupar o posto de série de língua não-inglesa mais vista na plataforma. A série narra a história de um mundo pós-apocalíptico que possui um processo de seleção para todos os jovens de 20 anos, no qual apenas 3% de sua miserável população tem acesso ao “outro lado”, um lugar para a elite onde abundância é a palavra de ordem. A segunda temporada da série foi disponibilizada em abril desse ano, e já teve seu contrato renovado.

A segunda série brasileira lançada pelo serviço de streaming foi O mecanismo, desenvolvida por José Padilha e Elena Soarez. Ambientada no contexto da Operação Lava-Jato, a série aborda os meandros do maior esquema de corrupção já descoberto no país, que acabou por culminar no processo de impeachment que tirou Dilma Rousseff da presidência do Brasil. Com um tema tão polêmico, é natural que ela tenha sofrido duras críticas da imprensa brasileira, em especial por distorcer os fatos reais, dando um ambiência tendenciosa à narrativa. A série foi renovada para sua segunda temporada, e a previsão de lançamento é para o próximo ano.

Por último, a Netflix acaba de lançar sua primeira série brasileira de comédia que, em tempo recorde, já teve seu contrato renovado para uma segunda temporada. Samantha! explora com muito bom-humor e deboche os bastidores da televisão brasileira, principalmente no contexto dos anos 1980, ápice dos programas infantis de auditório. A série, focada essencialmente no culto à fama e nas ações sem medidas da protagonista (Emanuelle Araújo) para retomar a carreira, foi escrita por Felipe Braga e acerta em cheio na construção nonsense e caricatural do humor, carregando inúmeras referências em relação à logística da TV, do universo da Publicidade e do atual contexto dos youtubers.

A Netflix soube explorar três diferentes abordagens nessas séries, e conseguiu atrair tanto o público brasileiro quanto o estrangeiro. Com todas as séries renovadas, é de se esperar que novas produções surjam: aliás, a próxima série nacional original da Netflix já está sendo produzida, se chamará Coisa mais linda, e será ambientada no contexto dos anos 1950, explorando o desenvolvimento da Bossa Nova no Rio de Janeiro. Criada por Heather Roth e Giuliano Cedroni, ela ainda não tem data de estreia, mas já estamos ansiosos. Agora é só aguardar!