Pular para o conteúdo

A dor e glória de um cineasta

Dor e glória(Dolor y gloria)

Classificação: 16 anos

Estréia: 13 de junho de 2019

Genêro: Drama

Nacionalidade: Espanha

Duração: 1h 53min

Nota do crítico

Crítica

Assistir a Dor e Glória é como testemunhar Pedro Almodóvar suavizado pela idade. O cineasta espanhol, que completou 70 anos em 2019, nos apresenta nesse filme um de seus trabalhos mais íntimos.

Alguns elementos que se esperam do diretor continuam na tela: a fotografia vibrante, com muito vermelho, os figurinos e cenários extravagantes, a exploração da sexualidade e seu tom melodramático.

Mas nesse filme não vamos testemunhar reviravoltas bombásticas, como em Fale com Ela, A Pele que Habito e tantos outros longas do diretor. Não vemos paixões explosivas, é tudo muito nostálgico, carregado de um sabor doce e amargo que as memórias costumam ter.

Antonio Banderas em uma de suas melhores atuações

No filme acompanhamos Salvador Mallo (Antonio Banderas), um diretor de cinema que é claramente uma versão de Almodóvar, embora não dividam o mesmo nome. É como um aviso de que uma parte a história é uma interpretação de eventos da vida real.

Salvador vive com dores em decorrência de vários problemas de saúde e parece atormentado. Ele pensa constantemente em sua infância e na sua mãe, e revive esses momentos em flashbacks melancólicos e emotivos. 

A atuação de Antonio Banderas traduz com extrema competência toda essa dor e fuga do personagem. É maravilhoso ver o ator encarar novamente um personagem tão rico em nuances, e Banderas entrega aqui uma das melhores atuações da sua carreira.

Penélope Cruz como a Mãe de Salvador que sempre aparece nas memórias do personagem

Salvador está claramente deprimido, e a narrativa do filme é uma bela investigação do que desencadeou a doença. A princípio, ele busca fugir da dor e não enfrentá-la. E só aos poucos vamos descobrir os segredos, arrependimentos e amores perdidos que o levaram a isolar-se do mundo.  

Se os outros protagonistas de Almodóvar eram jovens e viviam histórias absurdamente dramáticas e arrebatadoras, aqui acompanhamos um personagem que está no seu crepúsculo, cujo ritmo é muito mais lento e contemplativo.

O próprio filme acompanha essa cadência mais vagarosa do protagonista. Dor e Glória parece um filme de despedida, quase uma confissão.

Mas, embora existam dores pelo caminho, o tom final do longa é de satisfação e paz com a sua própria história. Uma vida dedicada ao cinema que termina de um jeito que só um cineasta poderia concluir um filme, fazendo um belo enquadramento de sua vida.

Notas

Média