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O feitiço do tempo é uma piada

A Morte Te Dá Parabéns 2(Happy Death Day 2U)

Classificação: 14 anos

Estréia: 21 de Fevereiro de 2019

Genêro: Drama, Horror, Suspense

Nacionalidade: EUA

Duração: 1h 40min

Nota do crítico

Crítica

A Morte Te Dá Parabéns (2017) parecia só mais um dentre tantos outros suspenses de maníacos, com adolescentes bobocas e uma narrativa toda desconjuntada. Um primeiro julgamento que acaba não se sustentando com uma olhada mais detida – e despretensiosa – sobre o filme.

A surpresa se revela ao se constatar ser um slasher nonsense com todos os lugares-comuns possíveis do gênero, mas que se sobressai justamente por quebrar os clichês típicos das tramas com looping temporal, aquelas que envolvem repetição infinita de um dia ou de um determinado espaço de tempo da vida do personagem (cujo melhor exemplo é a comédia Feitiço do Tempo). Tudo isso com ar galhofa, uma protagonista babaca e diversas tiradas autorreferenciais (de Repo Man à They Live).

Menos de dois anos se passaram, e já uma sequência desponta. Dessa vez, um sci-fi metade humor negro, metade John Hughes, que resolve de uma vez chutar o pau da barraca e joga no liquidificador um monte de pirações sem sentido, e igualmente divertidas: falhas no tempo, duplos, multiversos, sequências surtadas por cima de sequências surtadas… Eis uma produção que não tem vergonha de ser ruim – o que é ótimo!

Um grupo de adolescentes reunidos para fechar falhas cíclicas do tempo. Apesar dos inevitáveis conflitos, uma química que funciona como um relógio.

Na trama, Tree (Jessica Rothe, excelente com suas caras e bocas) acorda no dia seguinte aos eventos do primeiro filme, só para descobrir que uma máquina construída como projeto de ciências, por um grupo de alunos, foi a responsável por prendê-la em um padrão de repetição temporal. A diferença é que, dessa vez, ela está em uma dimensão alternativa em que nem tudo ocorre da mesma maneira e, além de ter que voltar para o seu verdadeiro mundo, sobreviver ao assassino serial da vez (novamente, um personagem facilmente identificável, com máscara de bebê), precisará lidar com algumas escolhas morais.

Seguindo esse mix improvável de ideias, o filme avança em ritmo vertiginoso, jogando com as diferentes possibilidades de morte da protagonista, e com o seu mau humor crônico. O resultado são algumas tiradas que oscilam entre o genuinamente engraçado, e o escatológico duvidoso.

Não é um filme que inventa a roda dos suspenses de assassino mascarado, e nem mesmo quer ser um novo clássico sobre viagens ou repetições do tempo. O que importa é que diverte ao trabalhar com tantas ideias absurdas quanto possível. Não cansa e nem ofende a inteligência do espectador, como todo entretenimento raso tem que ser.

Notas

Média