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Amor de cobra, veneno de homem

Saara(Sahara)

Classificação: Classificação indicativa dez anos

Estréia: 01/02/2017

Genêro: Animação, infantil

Nacionalidade: França, Canadá

Duração: 1h26m

Nota do crítico

Crítica

Sempre que acesso a Netflix, lembro dos velhos tempos das locadoras, onde ficávamos horas remexendo nas prateleiras, lendo as sinopses e escolhendo os filmes para o final de semana. Para mim sempre era um prazer adicional quando descobria algum filme bem diferente dos blockbusters tradicionais, e procuro até hoje manter esse espírito de “garimpagem”. Foi assim que descobri a excelente animação “Saara”, quase no final de uma extensa lista proposta pelo site.

Embora, pela Netflix, a língua original indicada do filme seja o inglês, me chamou a atenção, nos créditos iniciais do filme ser uma produção franco-canadense. Ao mudar o áudio para francês, reconheci de imediato a irreverente voz do ator Omar Sy, que ficou famoso por sua caracterização em “Intocáveis” (“Intouchables”, FRA, 2011), ao lado de François Cluzet!

O elenco que compõe o quadro de dubladores desta animação inclui a talentosa atriz e cantora Louane Emera (“Família Bélier”), o vencedor do Oscar Jean Dujardin e vários outros grandes nomes do cinema francês.

Mas nada adiantaria esse talento sem uma boa história, e neste ponto o filme também não decepciona. Partindo de uma ideia original do diretor Pierre Coré, a animação conta a história de duas cobras pertencentes a etnias diferentes, que são unidas pelo desejo de fugir do seu meio.

Ajar (Omar Sy) é uma cobra do deserto, que vive nas rochas, e é ridicularizado por seu grupo por não ter sofrido a primeira mudança de pele, o que o caracteriza ainda como adolescente. Seu único amigo é o escorpião Pitt (Franck Gastambide), que foi salvo por Ajar após perder sua família.

Num oásis próximo, em meio a uma vegetação luxuriante, Eva (Louane Emera) é a filha do rei do seu grupo, e vive constantemente sob a pressão do pai para que se case com um jovem do seu meio. Ela vive tentando fugir do oásis, mas o condor Chefe (Ramzy Bedia) está sempre vigilante para trazê-la de volta.

Enquanto Ajar quer viver no oásis, Eva quer conhecer o deserto. Quando os dois se encontram, a perseguição do Chef fará com que caiam em um rio subterrâneo, levando-os para longe dali. Posteriormente, Eva é capturada por beduínos, para ser usada pelo encantador de serpentes Omar (Grand Corps Malade).

Desesperado por ver Eva sendo levada, Ajar decide seguir os beduínos para resgatá-la. Nessa missão, ele será acompanhado por Pitt, e contará com a relutante ajuda do irmão de Eva, o doidão Gary (Vincent Lacoste).

A aventura segue em meio ao deserto, com muitas peripécias que vão de vagalumes carnívoros a turistas confusos, uma cobra galanteadora, Georges (Jean Dujardin), e outra muita ciumenta, a perigosa Alexandrie (Reem Khenci). Mas o confronto final será com o animal mais perigoso da Terra, o homem.

Embora seja um filme voltado para o público infantil, “Saara” consegue diferenciar-se de seus congêneres hollywoodianos em muitos aspectos. Diferentemente das castas produções da Disney, existe um envolvimento romântico explícito – que chega a ser traduzido graficamente. Além disso, o filme fala de preconceito racial, bullying, drogas ilícitas, tráfico de animais e seres humanos, exploração de trabalhos forçados, etc..

Talvez por essa abordagem tão fora do usual, “Saara” não chegou a ser lançado nos cinemas fora da França, indo direto para o catálogo de streaming. O filme recebeu muitas críticas principalmente pela alusão ao consumo de drogas, mas talvez seja uma boa forma de contextualizar e explicar os perigos da dependência às crianças mais observadoras.

De qualquer forma, “Saara” é uma animação de excelente qualidade, feita nas melhores técnicas da atualidade, com uma história divertida e momentos de humor que agradarão crianças e adultos. Recomendo apenas que escolham o áudio em francês pela excelência dos dubladores nesta língua.

Notas

Média