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Na era da vigilância extrema e relações digitais

Anon(Anon)

Estréia: 2018

Genêro: Suspense, ficção científica

Nacionalidade: EUA

Duração: 1h40mins

Nota do crítico

Crítica

O diretor e roteirista neozelandês Andrew Niccol tem apreço por histórias que mostram o impacto das novas tecnologias e suas implicações sociais. Sua estreia, Gattaca – Experiência Genética (1997) falava sobre o tema, num futuro onde os seres humanos eram escolhidos geneticamente em laboratórios, enquanto os concebidos naturalmente eram considerados inválidos.

Niccol também é roteirista de O Show de Truman (1998), produção que lhe rendeu um prêmio Oscar na categoria Roteiro Original. No filme, Jim Carey interpretava um homem que era personagem de um reality show sem que soubesse, sendo toda sua vida uma encenação para entreter o público sedento por esse tipo de programa.

Clive Owen, detetive que investiga os crimes do mundo pós-moderno

Em Anon (2018), produção original da Netflix, o diretor volta à temática dos avanços científicos e como isso pode moldar a sociedade contemporânea. Dessa vez, focando na criação de um sistema de vigilância extremo que permite que cada pessoa tenha toda sua vida e lembranças registradas através de uma tecnologia ativada pela retina onde é possível ver o ponto de vista de cada pessoa.

Nessa realidade, o nível de violência caiu drasticamente. No entanto, uma série de crimes começa a ocorrer sem que a polícia possa acessar as últimas memórias de suas vítimas, pois as mesmas foram apagadas. A investigação aponta para uma falha no sistema, que teria sido hackeado.

O fato é que todas as vítimas buscaram alguém que pudesse editar suas lembranças, escondendo situações que não queriam que se tornassem públicas. A partir daí a linha narrativa do filme se volta para as tentativas da polícia em buscar as pistas para desvendar esses assassinatos e como o sistema foi burlado.

Paleta de cores frias em filme que mostra um mundo digital de vigilância extrema

Com uma simbologia noir, a trama coloca o detetive Sal Frielance (Clive Owen) no encalço de uma garota (Amanda Seyfried), a qual ele encontra ocasionalmente na rua, sem poder acessar sua ficha, tornando-a alvo de sua investigação.

Há um questionamento ético sobre a invasão de privacidade e a presença digital, que mesmo abrindo várias possibilidade não deixa de ser uma nova forma de aprisionamento social.  O filme toca no assunto, contudo não chega a avançar sobre esse ponto, preferindo focar no suspense e na ação quem está em curso.

Com uma paleta de cores frias que reflete personagens que pouco demonstram emoções, o filme de Andrew Niccol funcionaria bem como um episódio da série Black Mirror. É instigante, provocador, mas lhe falta uma pitada de ousadia e de calor humano para ir além das convenções estabelecidas.

Notas

Média