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As Vantagens de ser Extraordinário

Extraordinário(Wonder)

Classificação: 10 anos

Estréia: 17 de novembro de 2017

Genêro: Drama

Nacionalidade: EUA

Duração: 113 min

Nota do crítico

Crítica

Adaptar um bom livro para a telona nem sempre é uma tarefa que logra êxito. Porém, esta máxima não vale para Stephen Chbosky. O diretor (e também roteirista) do belíssimo As Vantagens de Ser Invisível, mais uma vez, não decepcionou e nos presenteou com uma excelente adaptação do best-seller Wonder, de R. J. Palacio, aqui traduzido como “Extraordinário”.

August Pullman (Auggie), interpretado de forma triunfal por Jacob Tremblay (sim, aquele mesmo de O Quarto de Jack), é uma criança inteligentíssima e sonhadora, portadora de uma rara síndrome congênita, que acarretou por deixá-lo com o rosto desfigurado, desde o seu nascimento.

Mesmo com inúmeros procedimentos cirúrgicos, no intuito de tornar a sua face mais próxima do que enxergamos como convencional, o garoto enfrenta, diariamente, a luta pela aceitação, em especial, no seu mais novo desafio: tirar o capacete de estimação da cabeça e frequentar, pela primeira vez, uma escola na cidade onde mora. Em resumo: dar a cara a tapas.

É sobre este processo de aceitação e todas as suas consequências que se consubstancia a tônica do filme. Mas não se engane: apesar dos problemas em apreço recaírem sobre uma criança, em tese, indefesa, não estamos diante de um melodrama e, portanto, não espere vitimizações.

Já nas primeiras cenas do longa, presumimos que o caminho a ser percorrido por Auggie não será fácil. Porém, a direção de Chbosky soube manter toda a sensibilidade intríseca à questão exaltada, inserindo, pontualmente, a comédia e a fantasia, como parâmetros de afetividade, oferecendo todas as asas para a imaginação e o humor, inocentemente negro, do protagonista.

Para tanto, a saga do menino, em razão das circunstâncias, é abordada, metaforicamente, como o sol (quase um heliocentrismo), onde os demais personagens (nada secundários, a exemplo de seus pais, irmã e demais colegas de sala) são retratados como planetas que giram em torno de sua órbita, cada um com sua importância e uma relevante história de vida a contar. Afinal, cada um sabe onde o sapato aperta, não é mesmo?

Não por acaso, uma das grandes vertentes do filme é esta dinâmica da narrativa, que fui de forma leve, proporcionando este passeio de 360 graus ao redor de Auggie, e apresentando o ponto de vista dos que mais corroboram para o desencadeamento da trama, resultando, assim, na montagem de um quebra-cabeça. Sim, tudo se encaixa.

Por óbvio, espere os clichês do gênero ou aquele final que satisfaz a todos, mas não deprecie a obra por isso. Onde há escolas e crianças, há temáticas que são bem inerentes e não há como fugir da abordagem, em especial, do sofrimento do bullying, do papel da sociedade, de pais e de mestres face ao problema, e das peripécias de belas amizades, à la Conta Comigo, mas que, aqui, não se constroem sob a égide de benesses, já que fazer amigos é um exercício de paciência diário na vida de qualquer menino nesta situação.

Enfim, assistir a Wonder é vislumbrar uma experiência sinestésica, provocada pela catarse emocional de se deparar com uma história que, dadas as devidas proporções, já foi bem nossa ou pode vir a ser, quem sabe, dos nossos filhos.

Notas

Média