Pular para o conteúdo

A ascensão do tirano

Vingadores: Guerra Infinita(Avengers: Infinity War)

Classificação: 12 anos

Estréia: 26 de Abril de 2018

Genêro: Ação, Aventura, Fantasia

Nacionalidade: EUA

Duração: 2h 29min

Nota do crítico


A presença do vilão mais icônico da Marvel, Thanos, prenunciada desde 2012 no primeiro Os Vingadores, finalmente faz girar a trama do novo capítulo do carro-chefe da Casa das Ideias. E dessa vez, não apenas junta os heróis mais conhecidos (Homem de Ferro, Thor, Capitão América, Viúva Negra, Hulk, Visão e Feiticeira Escarlate), como também os novatos Homem Aranha e Pantera Negra, além dos Guardiões da Galáxia. Todo o Universo Marvel defendendo a Terra da invasão da poderosa criatura, em busca das Joias do Infinito.


Crítica

O maior encontro de todos os tempos

Dez anos, dezenove filmes, alguns bilhões de dólares em faturamento. São números para poucos, e se tem algum estúdio que merece todas as congratulações possíveis por isso, este é a Marvel Studios, com a chancela inconfundível da Disney.

Um planejamento ímpar, com tentativas sem êxito de ser imitado, entre universos compartilhados de concorrentes (DC Comics), monstros clássicos (Dark Universe) e monstros gigantes (King Kong, Godzilla, etc). Nenhum deles sequer chegando perto de ameaçar a hegemonia da Casa das Ideias.

Algo com esse alcance só poderia resultar em um auge catártico, com todas as possibilidades de exploração de personagens (dezenas, no caso) à disposição. Algo com a dimensão de um mega crossover, reunindo todos os personagens apresentados até então em seus respectivos filmes solo.

Esqueçam o carisma magnético de Robert Downey Jr. na trilogia Homem de Ferro (2008, 2010 e 2013), a excentricidade e colorido de Guardiões da Galáxia (2014, 2017), e os primeiros Os Vingadores (2012, 2015). Ignorem até mesmo o burburinho em torno do recente Pantera Negra. Nada foi ou será como antes a partir de Vingadores: Guerra Infinita.

O salvador amargurado do Universo

Na sinopse de Guerra Infinita, certamente já conhecida pela maioria, Thanos, a entidade que estava por trás da invasão Chitauri à Nova York no primeiro Os Vingadores, finalmente toma posse da Manopla do Infinito, e se lança em uma busca sem precedentes através dos mundos com o objetivo de reunir todas Joias do Infinito. O poder que tais artefatos místicos lhe conferirão o permitirá varrer metade das formas de vida, permitindo um equilíbrio cósmico que, segundo sua lógica, salvará os mundos de uma inevitável exaustão e autodestruição.

É em torno desta motivação que os Vingadores mais os Guardiões da Galáxia se reúnem para impedir que Thanos obtenha as Joias que estão na Terra, precisamente as Joias do Tempo (em posse do Dr. Estranho) e a Joia da Mente (com o androide Visão). O que torna o personagem talvez a principal razão pela qual a trama avança, e provavelmente único em um universo ficcional carente de super vilões que não se restrinjam aos clichês maquiavélicos de sempre.

Antagonista com motivações que o humanizam.

O Thanos de Josh Brolin é uma força da natureza. Mesmo abaixo de pesado CGI, o ator consegue impingir uma dramaticidade de expressões que tornam tangíveis as intenções e sentimentos do Titã. Não é apenas um vilão megalomaníaco com desejo sem limites de poder. Nem ao menos seu fito é a mera destruição pela destruição.

Ele está em uma jornada espiritual, acredita piamente que o que está fazendo será pelo bem de tudo e de todos, e está disposto a defrontar a quem se interpuser em seu caminho. Uma vontade de ferro que se alia muito bem a um traço de autossacrifício inerente ao personagem. Para isso, ele deverá fazer algumas escolhas ao longo do caminho que, ao passo que o tornarão mais forte, trarão uma carga dramática não só a si, mas também à trama como um todo.

Com tais características, fica muito fácil atribuir a ele o mesmo grau de importância que qualquer outro herói tem na história. E, obviamente, se empolgar ainda mais pelas batalhas, tendo em vista que os dois lados defendem pontos de vista legítimos.

Sucessão de clímax

Do início ao fim, quase sem interrupções, o filme transcorre em sequências de combates, a maioria delas empolgantes. Todas com um senso de urgência e desgraça iminente, que seguram o público e o mantêm em estado constante de tensão.

Além de bem executadas do ponto de vista da ação e dos efeitos especiais, aproveitam satisfatoriamente os poderes de cada um dos heróis. Inclusive abrindo margem para alguns upgrades interessantes de personagens, como o Homem Aranha e seu nascente sentido de aranha, elemento clássico nos quadrinhos, e a nova armadura de Stark, com um novo conjunto de recursos, mais inventivo e mortal do que nunca.

E ao contrário do que se poderia supor, de uma forma geral, todos ganham o devido destaque no momento certo. Veteranos e novatos conseguem ganhar espaço e brilhar, fazendo com que as cenas transcorram em harmonia, mesmo nos frequentes ápices de ação. Não existe sensação de bagunça em tela ou mau aproveitamento, pelo excesso de personagens.

Até o jovem Peter Parker de Tom Holland ganha voz e vez no time de adultos contra a ameaça galáctica.

Além disso, a ideia de reuni-los em pequenos núcleos, antes das duas grandes batalhas decisivas no ato final, permite que interações inéditas e impagáveis sejam construídas e aproveitadas ao máximo. Stark-Strange e Stark-Quill são um exemplo forte disso, assim como a trinca Thor-Rocket-Teen Groot.

Outro ponto a favor são as improváveis interações. Na imagem em questão, o ego de Stark bate de frente com a arrogância do Mago Supremo. Mais divertido do que isso, impossível.

As tiradas em torno dessas interações ocorrem em ritmo ágil, assim como as risadas que elas suscitam, afinal, se tem uma coisa em que a Marvel é expert e nunca deixa de lado é o seu humor característico, mesmo em histórias mais sombrias como essa. O que nem sempre funciona, como quando os Guardiões surgem em tela, prenunciando piadas bobas e infantiloides, ou que se estendem demasiadamente.

Isso, mais as soluções fáceis de roteiro ou pouco críveis, poderiam ser apontadas como deméritos do filme. No entanto, justiça seja feita, nada disso é falho demais ao ponto do filme cair em conceito.

Foi uma incursão admirável, que continua em 2019 com o quarto Vingadores, e que finalizará um ciclo de mais de uma década. Dando indícios, talvez, de uma nova fase, com novos personagens, conflitos e confrontos épicos. E que venha esse futuro promissor da Marvel.

Notas

Média