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Sim, vocês são os campeões

Bohemian Rhapsody(Bohemian Rhapsody)

Classificação: 14 anos

Estréia: 01 de Novembro de 2016

Genêro: Drama, Biografia, Música

Nacionalidade: Reino Unido, EUA

Duração: 2h 14min

Nota do crítico

Crítica

Fruto de uma produção conturbada, com direito a conflitos entre o diretor Bryan Singer (responsável pela franquia X-Men) e o elenco, e sua consequente dispensa, Bohemian Rhapsody (2018) se revela, no final das contas, uma ode a uma das maiores bandas de rock de todos os tempos. E acima de tudo, uma justa e bonita homenagem ao vocalista Freddie Mercury, falecido no auge de sua produção artística.

A cinebiografia se propôs a abordar um recorte específico da vida de Mercury, incluindo a gênese do Queen com sua entrada na banda, a ascensão meteórica no meio musical, o experimentalismo que não se encaixava perfeitamente com o perfil da indústria musical, a posterior fragmentação do quarteto, além do diagnóstico da doença que vitimou o ícone. Um apanhado que parece confluir para o lendário show Live Aid, em 1985, quando a trupe se reuniu após um hiato separada. Como se vê, pela breve descrição, um encadeamento de fatos e eventos que não necessariamente se preocupam com veracidade ou linearidade dos acontecimentos.

Não que chegue a ser um problema. A trajetória meteórica do Queen é tão intensa quanto cinematográfica, sem precisar fazer muito esforço para ser notável, nem ter retoques ficcionais para ser descolada. Queen é tudo isso e muito mais. Sem contar que Mercury é uma figura ímpar: carismática, polêmica, um show de magnetismo pessoal a cada performance que executava.

Era uma vez, outsiders que faziam músicas para outros outsiders.

A abordagem do roteiro lembra levemente uma outra cinebiografia, The Beach Boys – Uma História de Sucesso (2014). Sobretudo por abordar as peculiaridades e o pitoresco de uma banda que vai galgando os degraus do sucesso, começando por experimentações excêntricas. Enquanto isso, o vocalista emocionalmente instável é “manipulado” por um alguém sem escrúpulos. Uma semelhança narrativa curiosa, que não chega prejudicar a experiência, contudo. Não macula ou torna batida a construção da personalidade de Mercury.

Por sinal, o seu intérprete, Rami Malek (o astro revelação da série Mr. Robot), encarna com uma paixão e uma desenvoltura que elevam o filme de forma soberba. O trabalho corporal que impinge impressiona em determinadas cenas chave ao ponto de gerar a (falsa) percepção de que Mercury foi projetado no palco, tamanho o paralelismo de gestos, posturas, trejeitos e expressões faciais.

Juntam-se a isso uma fotografia retrô e figurinos setentistas espalhafatosos, que tentam emular todo o clima de liberalidade de uma década. Além de uma montagem ágil (não tanto quanto prenunciava os trailers – uma pena), que engata um ritmo fácil de acompanhar, e enseja uma alternância adequada entre um humor incidental e o drama melancólico que cerca o protagonista.

Apesar de meio formulaico, chapa branca (até mesmo o abuso de drogas parece atenuado e construído de um modo a ser ponte para a redenção do personagem) e não ser totalmente fiel aos fatos, difícil errar em se tratando de quem é retratado, e Bohemian Rhapsody entrega exatamente o que promete: um espetáculo musical que passeia pela produção do Queen (cada música, um hino de sonoridade e de letras que reverberam profundamente naqueles que escutam), sem esquecer o ícone que Freddie Mercury foi, com sua persona brilhante, contestatória e solitária.

Notas

Média