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A Busca de Alain Ducasse

A Busca do Chef Ducasse(La Quête d'Alain Ducasse)

Nota do crítico

Crítica

Gilles de Maistre é um veterano da televisão francesa, realizador respeitado no país e esse foi certamente um dos motivos pelos quais o aparentemente inflexível Alain Ducasse se deixou acompanhar durante quase dois anos, entre 2015 e 2016.

O chefe é carrancudo e bem fechado, tanto que é perceptível que alguns momentos não podiam ser documentados e durante todo esse tempo o diretor só viu a esposa de Ducasse uma única e insignificante vez. Algumas “patadas” durante a metragem também são identificáveis, mas tudo de uma forma charmosamente francesa.

O filme começa apresentando rapidamente o garoto de Landes que se tornou um dos maiores chefes da gastronomia mundial, recordista de estrelas do Guia Michelin e nos inserindo em sua nova incursão: inaugurar um restaurante no Chatêau de Versailles – fechado ao público e aberto apenas a clientes que querem uma experiência completa no palácio – mas este é apenas um dos assuntos do longa.

Para Ducasse, a gastronomia faz parte do todo de uma experiência situacional e local, ele acredita que além dos ingrediente e do preparo, o momento e as companhias durante uma refeição afetam diretamente na recepção do que se come, portanto, os ambientes devem ser propícios a oferecer as situações mais agradáveis possíveis, também por isso ele se envolva com todas as etapas da concepção de seus restaurantes, evidentemente do prato que é servido, até a arquitetura do local.

Apesar de negar que faz política com sua gastronomia, creio que o engajamento consciente no modo de conduzir seus restaurantes, na matéria-prima utilizada, na relação com os colaboradores, entre outros elementos, sejam sim uma forma de política, e tudo isso é o que o torna um profissional tão fascinante.

Mas o que um homem que já encontrou tudo poderia estar buscando? Alain anda a procura de conhecer cada vez mais culinárias. Ele não para, vai ao Japão várias vezes ao ano sempre conhecendo restaurantes diferentes, a narrativa se propõe a mostrá-lo nessas buscas, viajando pelo mundo com os mais diversos objetivos, como participar de um programa de auditório (aliás, foi a única vez que de Maistre o viu cozinhando); ir a um bate-papo com alunos de um amigo nos EUA; visitar uma escola sua, um projeto social que ele dirige; e ir ao Brasil, onde está seu fornecedor de cacau.

O formato documental escolhido é bem ordinário e formulaico, mas correspondeu bem às expectativas que o produto almejava, apesar de que o próprio Ducasse disse que as imagens foram “roubadas” de alguma forma. Essa sensação não é passada ao espectador. O filme culmina no dia da inauguração do Ore, o tal restaurante em Versailles, enfim pronto depois dos quase dois anos e que em breve deve lhe render mais estrelas Michelin.


Em Natal, você ainda pode conferi-lo no Festival Varilux de Cinema Francês, na Cinépolis Natal Shopping, terça-feira, 19/06, às 22h20.

Notas

Média