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Buscando…: o bom suspense de sempre, com uma nova roupagem

Buscando...(Searching)

Nota do crítico

Crítica

Depois de realizar alguns curtas como diretor, roteirista e editor, Aneesh Chaganty acaba de lançar seu primeiro longa-metragem: “Buscando…”. O filme é um suspense que narra a história de David Kim (John Cho) à procura de Margot (Michelle La), sua filha desaparecida.

Depois do falecimento de Pamela Nam Kim (Sara Sohn), mãe de Margot, iniciou-se um distanciamento entre pai e filha, e embora o contato entre eles seja constante, o silêncio de ambos em relação ao luto ganha desdobramento com o protagonismo das novas tecnologias.

Buscando… vai resgatar códigos e convenções típicos do cinema de gênero, mas o faz de uma maneira inovadora. Aproximando-se do que tem sido chamado atualmente de “Screen Life”, a narrativa do filme é toda construída através de telas de dispositivos tecnológicos, como ocorre em Amizade desfeita (Levan Gabriadze, 2014). Para tal, Chaganty opta por mostrar a família através de vídeos caseiros, ainda no saudoso Windows 95, e focar na atual busca de Kim por meio das redes sociais, notícias televisivas, chamadas de vídeos, mensagens em aplicativos, câmeras de vigilância e de celulares, além de webcam – resquícios do cinema found footage.

Fazendo uso desse recurso, que intensifica o efeito de câmera subjetiva, acompanhamos a investigação de Kim pela internet, desmembrando os últimos rastros virtuais de sua filha, uma adolescente solitária e misteriosa. Com um roteiro bem estruturado e cheio de pontos de viradas, o espectador vai descobrindo junto com o protagonista da trama as informações que levam à Magot, intensificando, com isso, o clima de tensão.

Mérito do filme, a tradução dos conteúdos de tela permite que o espectador brasileiro contemple com mais facilidade as pistas lançadas, acompanhando o desespero do pai para encontrar sua única filha, a suspeita investigação da polícia sobre o caso – liderada pela ótima atuação de Debra Messing como a Detetive Vik -, a presença invasiva da mídia e, sobretudo, o julgamento social pelo qual o protagonista é vítima.

Definitivamente, o mais importante no filme não é o que a história conta, mas o modo como ela é contada. Trata-se, assim, do bom suspense de sempre, com uma nova roupagem.

Notas

Média