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Confusão no galinheiro

A Raposa Má(Le Grand Mechant Renard et Autres Contes)

Classificação: Classificação indicativa livre

Estréia: 21/06/2017

Genêro: Animação, infantil

Nacionalidade: França, Bélgica

Duração: 1h23m

Nota do crítico

Crítica

Sempre que pensamos em um filme infantil, certamente o que vem à mente são as sofisticadas produções Disney/Pixar, com seu preciosismo técnico e investimento de milhões de dólares para cada filme. Pode ser também a delicadeza artística dos Estúdios Ghibli, que transporta para as telas belas histórias do folclore japonês.

Na verdade, o primordial não está na sofisticação tecnológica ou artística, mas na história a ser contada que torna um filme especial, o que é o caso da produção franco-belga “A Raposa Má” (“Le Grand Mechant Renard et Autres Contes”, FRA/BEL, 2017).

Como o título original sugere, o filme contém três histórias, no mesmo ambiente e com os mesmos personagens. A ação se passa em uma fazenda, onde vivem vários animais, cada um com suas peculiaridades, defeitos e qualidades.

No primeiro episódio, o responsável Porco (Damien Witeka) é obrigado a assumir a entrega de um bebê, depois que a preguiçosa Cegonha (Christophe Lemoine) decide tirar uma folga, e os malucos Pato (Antoine Schoumsky) e Coelho (Kamel Abdessadok) resolvem assumir o serviço.

No segundo episódio (que dá o título ao filme), a Raposa (Guillaume Darnaut), cansada de ninguém ter medo dela, resolve raptar os três pintinhos da sra. Galinha (Céline Ronté). O problema é que os pintinhos acham que são raposas e filhos da própria, o que gera bastante confusão no galinheiro.

No terceiro episódio, o Pato resolve assumir o papel de Papai Noel, arrastando os amigos Porco e Coelho em enormes confusões na cidade, que incluem até ter que lidar com o verdadeiro homenzinho de vermelho.

Apesar do enredo simples, as histórias são apresentadas de forma bastante divertida, tanto para crianças quanto para adultos, com algumas piadas e intervenções muito interessantes, bem diferentes das histórias infantis do consumo padronizado. Não existem estereótipos, todos têm defeitos e qualidades, mas o que prevalece é amizade e o amor entre os personagens.

A técnica utilizada, bem diferente da sofisticação computadorizada, nem por isso é menos interessante. Os desenhos lembram a aquarela, com traços incompletos porém sugestivos, que funcionam muito bem com a percepção infantil.

Os diretores do filme são Patrick Imbert e Benjamim Renner. Imbert tem no seu currículo nada menos que “Ernest & Célestine” e “Abril e o Mundo Extraordinário”, enquanto Renner, além de dirigir, também foi o autor dos comic books nos quais foram baseados o filme atual: “Le grand méchant renard” and “Un bébé à livrer”.

Apresentado na edição 2018 do Festival Varilux de Cinema Francês, “A Raposa Má” é uma oportunidade para a apreciação do excelente cinema infantil franco-belga, que une uma bela técnica a um enredo inteligente e repleto de bons valores. Será exibido em Natal pela última vez na Cinépolis Natal Shopping no sábado, 16/06, às 14h.

Notas

Média