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Na escuridão profana os monstros se escondem

Mandy(Mandy)

Classificação: a definir

Estréia: a definir (Brasil)

Genêro: Ação, Horror, Thriller

Nacionalidade: EUA, Bélgica, Reino Unido

Duração: 2h 01min

Nota do crítico

Crítica

A primeira e mais importante coisa a se saber sobre o incomum Mandy (2018) é que se trata de um filme de nicho. Como tal, apenas uma parcela específica do público, caso esta se permita embarcar na viagem lisérgica, irá realmente apreciar os 121 minutos de pura insanidade e ações sem sentido aparente.

E a outra consideração importante que não se pode deixar de fazer é que seu incensando protagonista, Nicolas Cage, é daqueles atores que fizeram sucesso estrondoso nos anos 90, perigando faturar Oscar, e que hoje amargam um semiesquecimento e um currículo recente feito de quatro lançamentos ao ano (somente tranqueiras desembocadas diretamente para o Home Vídeo). Não deixa de surpreender, portanto, que um longa de festival estreado por Cage faça tanto burburinho, ao ponto de acumular incríveis 93% de aprovação da audiência no Rotten Tomatoes.

Isso posto, Mandy (2018) narra a convivência idílica e bucólica de um casal, quebrada repentinamente pelo sequestro da esposa do personagem de Cage. Perpetrado por um culto hippie e seus asseclas (três motoqueiros deformados), prontos a realizar um ritual de morte, cabe a Cage iniciar uma trajetória sangrenta de vingança, mesmo que precise fazer um mergulho sem volta na barbárie e loucura.

Vingança em tons rubros, e um Nic Cage totalmente sem controle (literalmente).

A premissa excêntrica dá o compasso de toda a narrativa, que parece um cruzamento entre o clima onírico da filmografia de David Lynch com o visual estilizado e berrante do giallo Suspiria (1977). O diretor e também roteirista Panos Cosmatos investe pesado no misticismo, fanatismo satanista/religioso, sacrifício humano, dentre outras ideias bizarras, condensadas em um roteiro fragmentado, e apresentadas sob um rótulo visual desconfortável (paleta de cores estourada no vermelho e trilha sonora com predomínio de sintetizadores), de modo a não só ser visto como um horror atípico, como também sentido como tal.

Talvez o saldo final não tenha chegado a tanto, é verdade. Afinal, o ritmo oscila em atratividade, entre a verborragia fatigante dos personagens e momentos de pura catarse e gore abundante, jogados em meio à luta de motosserras e a um machado de formato estrelado sendo bradado a torto e a direito.

Pelo menos temos Nic Cage em uma atuação comicamente excessiva, sem dúvida a melhor coisa do filme. É como se Cosmatos tivesse pedido a Cage, a partir de determinado ponto, para virar uma garrafa de pinga e surtar livremente, enquanto a câmera estivesse rodando, sem parar. O resultado é, certamente, a melhor interpretação do ator em anos!

Quem se propor a aventurar-se por essa pérola do horror, que pelo menos tenha esse consolo.

Notas

Média