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Deadwood, a melhor série da HBO que você nunca assistiu

Deadwood(Deadwood)

Estréia: 16 de novembro de 2004

Genêro: Faroeste

Nacionalidade: EUA

Nota do crítico

Crítica

Esse ano, o canal de assinatura HBO lançou um filme baseado em uma das suas melhores séries que quase ninguém assistiu: Deadwood.

A série foi cancelada prematuramente em 2006, depois de apenas três temporadas, talvez por não ter alcançado a audiência e popularidade  de outros shows da emissora na época, como Família Soprano (1999) e Sex and the City (1998).

Mas Deadwood é uma pérola esquecida entre as produções da HBO, e a sua conclusão em forma de telefilme chega com mais de uma década de atraso devido a impasses e desavenças nas negociações.

O filme em si não é lá uma conclusão muito satisfatória, e nem chega aos pés do que o seriado foi capaz de fazer ao longo dos seus 36 episódios. Todavia, o longa serve como um merecido lembrete da qualidade de Deadwood e de por que vale a pena assistir a série, mesmo depois de passados 13 anos do seu fim.

Deadwood funciona bem como faroeste, drama e série de ação.

Deadwood tem o sabor de um autêntico faroeste combinado com o dinamismo de um roteiro contemporâneo. Anos antes da televisão abrigar algo do naipe de Game of Thrones (2011), a série já causava controvérsia pela quantidade de palavrões e brutalidade. 

O seriado se passa nos anos de 1870, durante a corrida do ouro na cidade de Deadwood, na Dakota do Sul, onde vários tipos diferentes se estabeleceram em busca de riquezas e oportunidades. 

Muitos dos personagens e eventos são baseados em pessoas e fatos reais, mas a série nunca parece se conter por causa disso. Pelo contrário, ela explora todo o potencial dramático da história, acrescentando e mudando o necessário para obter uma narrativa que é ao mesmo tempo coesa e emocionante.

Algumas das figuras mais famosas do folclore do velho oeste americano passaram pela cidade e são personagens na série, como Wyatt Earp, Wild Bill Hickok e Calamity Jane. Mas o roteiro de Deadwood faz com que cada um deles pareça de fato com uma pessoa real e não uma figura mítica distante.

A série tira o melhor que os fatos reais tem a oferecer e os incrementa com bastante ficção.

Embora a série tenha vários personagens os principais são dois:  Seth Bullock (Timothy Olyphant de Santa Clarita Diet), um ex-xerife de pavio curto que vai para Deadwood abrir uma loja de ferragens, e Al Swearengen (Ian McShane de Deuses Americanos), o desbocado proprietário do saloon/bordel local.

Dois personagens fascinantes, diga-se de passagem, cheios de conflitos e contradições. Bullock representa o mocinho, preocupado com o que era certo e justo, mas não raro cede a violência extrema e faz coisas que seriam impensáveis para um herói de faroestes dos anos 40. 

E aqui cabe um parênteses: o ator Timothy Olyphant (que interpreta Bullock) é tão perfeito para faroestes que, ao assisti-lo, se sente vontade de ressuscitar todo o gênero das cinzas só para vê-lo estrelar mais alguns westerns. Mas continuando…

Já Al Swearengen à primeira vista está mais para um vilão: explora mulheres, faz negócios escusos e mata por dinheiro. Todavia, Ian McShane (que está maravilhoso na série) interpreta o personagem com tanto carisma que é quase impossível realmente odiá-lo, e no decorrer dos episódios Al se torna uma figura muito mais complexa e interessante.

Ian McShane, um dos destaques da série, ganhou um Globo de Ouro por sua performance como Al Swearengen.

Jogue esses personagens voláteis, com armas de fogo em um território completamente hostil e você terá a fórmula básica de Deadwood. 

É difícil compreender por que a série não decolou quando foi ao ar, mas graças à internet e aos serviços de streaming, ela finalmente pode ser vista e apreciada por aqueles que não a conheceram antes. 

Agora é o momento perfeito, Deadwood finalmente ganhou sua conclusão e está só esperando que os atrasados corram para assisti-la.

Notas

Média