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A dor e a delícia de ser Simon

Com amor, Simon(Love, Simon)

Classificação: 12 anos

Estréia: 22 de março de 2018

Genêro: Drama/Romance/Comédia

Nacionalidade: EUA

Duração: 1h50min

Nota do crítico


Todo mundo merece uma grande história de amor. Mas para Simon Spier, de dezessete anos, é um pouco mais complicado: ele ainda não contou para a sua família ou amigos que é gay, e não faz ideia de qual seja a identidade do seu colega anônimo que divide o mesmo segredo. Resolver as duas questões se mostra divertido, aterrorizante e uma mudança de vida definitiva.

Fonte: Fox Film


Crítica

Assumir a orientação sexual para si e para todas as pessoas que integram o seu ciclo de vida, aprendendo a conviver com as maravilhas e os dissabores advindos desta decisão, é um dilema corriqueiro no cotidiano de inúmeros jovens gays espalhados pelo mundo.

Simon, típico adolescente morador de uma cidade pequena, com uma família invejável e os melhores amigos que alguém pode ter, representa, com amor, a temática em questão.  Mesmo com uma vida linda e trivial, porém, ao estilo “a grama do vizinho é mais verde”, se vê na condição de esconder um segredo que o torna infeliz: é homossexual e ainda não aprendeu como lidar com isso.

Ocultar sua essência de todos sempre se reputou na saída mais cômoda até começar a se corresponder, virtualmente, com um garoto misterioso da sua escola, fato que vem à tona e traz consigo um turbilhão de transformações a serem encaradas

O longa é uma bela adaptação do romance de Becky Albertalli, Simon vs. the Homo Sapiens Agenda, e o mais recente trabalho, como diretor, do roteirista e produtor Greg Berlanti, muito conhecido por produzir e escrever episódios das séries Dawson’s Creek (1998 – 2003), Arrow e Supergirl.

Berlanti, assumidamente homossexual, soube conduzir o filme sem cair no melodrama que envolve a problemática. A propósito, seu olhar desenhou, com maestria, as ações e as reações do protagonista, bem interpretado por Nick Robinson, para que as situações do arcabouço dramático fossem dotadas, sim, de reflexão, mas com um bom humor na dosagem correta para deixar a trama leve.

As inquietações e os desafios, inerentes a qualquer gay enrustido, são expostos aos poucos na tela, em especial, o fardo de não ser autêntico com a sua natureza em casa, no colégio ou com os amigos, bem como o pesar de não poder amar livremente quem se deseja. Afinal, todo mundo merece uma grande história de amor, como propõe a obra.

O conto é americano, mas o preconceito da sociedade, transvestido de moralidade e valores de família, para apedrejar quem busca somente ser feliz, é cada vez mais brasileiro. Basta acompanhar nas mídias sociais ou em outro meio de comunicação, os dogmas políticos e religiosos, consubstanciados em discursos de ódio, capazes de transformar a saga de milhões de jovens, nesta situação, em um verdadeiro inferno, ainda que convivamos em um país, dito pluralista.

O longa, inclusive, evidencia bem o bullying, a solidão e a repressão advinda de escolhas imprudentes, mas necessárias. Porém, caberia ter explorado, com mais profundidade, a relação de Simon com seus pais, sua irmã e sua melhor amiga, Leah Burke, vivida em atuação discreta por Katherine Langford (ela mesmo, a Hannah Baker de 13 Reasons Why). Sabemos o peso que estas pessoas detêm na conjuntura da adolescência, todavia, os seus respectivos personagens tiveram sua importância reduzida em tela.

Love, Simon é um passeio, que emociona ao desempenhar um papel conscientizador, ao passo que mostra a beleza de aceitar-se e apaixonar-se por si mesmo.

Quem sabe, neste momento, estamos assistindo ao mesmo filme, em casa, na escola ou no trabalho, ao lado de pessoas tão próximas, que se defendem das armadilhas da intolerância e dos conceitos indevidamente pré-concebidos, para serem, simplesmente, livres.

Notas

Média