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A dor e a delícia de ser substituível

Insubstituível(Médecin de Campagne)

Classificação: 12 anos

Estréia: 23/03/2016

Genêro: Drama

Nacionalidade: França

Duração: 102 min

Nota do crítico

Crítica

Presente na última edição do Festival Varilux de Cinema Francês, Insubstituível reaparece no circuito natalense e nos convida a refletir sobre a aceitação da natureza efêmera do ser humano e os limites da dedicação ao ofício que exercemos frente às adversidades da vida.

Jean-Pierre Werner, interpretado pelo “intocável” François Cluzet, é o que podemos chamar de “médico da família”, que labora em uma pequena comunidade rural francesa há algumas décadas, com profunda admiração dos munícipes e pacientes.

Da rotina desgastante à eficácia de seu trabalho, qualquer habitante (inclusive ele mesmo), concluiria que seria difícil substituí-lo, se necessário fosse. Porém, o que fazer quando uma grave doença ameaça incapacitá-lo para a atividade?

Se a problemática se apresenta com a descoberta de um tumor maligno, o conflito se instaura, principalmente, com a chegada da médica recém-formada Nathalie (Marianne Denicourt), que resultará não só no dilema do protagonista, consciente da indispensabilidade de seu trabalho, bem como na nova dinâmica para a vida do assentamento que assistem.

O longa é um retrato maduro do profissionalismo vislumbrado na melhor idade, em uma carreira onde a esperança se encontra com a faceta mais humana da nossa existência: a vulnerabilidade. E é justamente aqui que reside o grande valor do filme: explorar uma vertente desconhecida dos médicos, na sua visão mais socioassistencial, o que dista da ilusória armadura branca, muitas vezes, equivocadamente, traduzida na imortalidade de um super-herói.

Nada mais plausível vindo do diretor Thomas Lilti, que conduz com propriedade a trama: afinal, além de profissional da medicina (sim, ele é médico), já dirigiu o belíssimo Hipócrates (2014), que narra os dissabores do início da jornada de um jovem residente francês.

Embora a abordagem não seja tão espetacularmente inédita, Insubstituível logra êxito, também, ao fugir do melodrama tão inerente ao gênero. Mérito do roteiro e da direção que não aceitaram a extração mais facilitada para o enredo, elegendo o naturalismo cotidiano como artefato primordial de sua narrativa. Isto é bem perceptível na escolha dos planos que intensificam os momentos de vulnerabilidade dos personagens ou a beleza trivial das locações abertas.

Enfim, um filme sobre a finitude da vida, que evoca o lado mais sensível da própria medicina e de seus realizadores, assim como ergue o espírito de reciprocidade entre as pessoas, propondo a quebra de certos paradigmas que permanecem no imaginário popular… e dos médicos.

Insubstituível está em cartaz na sessão de arte do Cinépolis Natal Shopping.

Notas

Média