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Ecos de insanidade na escuridão íntima

Você Nunca Esteve Realmente Aqui(You Were Never Really Here)

Classificação: 16 anos

Estréia: 09 de Agosto de 2018

Genêro: Drama, Thriller

Nacionalidade: Reino Unido, França

Duração: 1h 29min

Nota do crítico

Crítica

Quando a diretora Lynne Ramsay despontou com Precisamos Falar Sobre o Kevin, pelo idos de 2011, ficaram claras suas obsessões pela psique humana, no que ela tem de mais cruel e desajustada. Aliado a isso, um apuro técnico de deixar pasmo até mesmo o cineasta mais experiente.

Anos depois ela volta à cena, ainda carregando uma preocupação em explorar o peso dos anos e das cicatrizes abertas sobre uma vida (ou vidas). Em Você Nunca Esteve Realmente Aqui (2017), acompanhamos o veterano da Guerra do Golfo, Joe (Joaquin Phoenix), perito em resgates, assumindo uma nova missão: rastrear e trazer de volta a filha adolescente de um senador, explorada sexualmente por uma rede de tráfico de mulheres. As coisas desandam quando se vê preso em uma conspiração para abafar o caso.

Talvez, a missão que deve ser cumprida até o fim seja a última chance de redenção. Uma gota de realidade em meio ao caos da mente.

Em outras mãos, este sairia um thriller tenso e violento. Se bem que brutalidade não falta ao mais novo produto de Ramsay, que também mostrara sua predileção pela violência seca e chocante em seu último trabalho. Só que o que interessa aqui é o estudo do perturbado personagem de Phoenix, um ator que de ordinário consegue fácil e convincentemente dar vida a outsiders.

E nisso, o filme é bem sucedido, ao centrar toda a narrativa em um personagem que segue a linha tênue entre realidade e desajuste mental, em uma estrutura prestes a ruir por completo. É como se os traços instáveis de sua mente fossem descortinados através de cenas entrecortadas (e confusas como a sua mente) de traumas sofridos no passado, durante o show de horrores da guerra. Ou até mesmo antes, em sua infância também desequilibrada, em flashes que sugerem um início de vida que flerta abertamente com a psicopatia.

Apesar de ser um trabalho competente em sua proposta, cabe ressaltar que é fácil se impacientar pelo ritmo impingido. Por vezes com uma edição delirante, em outras, puramente fragmentada, adentrar na mente de um indivíduo em franco desvario significa, aqui, passear por uma narrativa que parece não ter sentido algum. Só na aparência, porque há tantas camadas de complexidade a serem pensadas, que dificilmente é uma obra que teria pendor a passar despercebida do público atento.

Notas

Média