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Em busca de si mesmo

Marvin(Marvin ou la belle éducation)

Classificação: 14 anos

Estréia: 07 de Junho de 2018

Genêro: Drama

Nacionalidade: França

Duração: 1h 55min

Nota do crítico

Crítica

Intolerância e redenção em quatro atos

Poderia muito bem ao início de Marvin (2017) aparecer um lembrete atestando que a história é baseada em fatos reais, tamanha a proximidade com a vida com que é contada. Não à toa, a via crúcis do jovem Marvin Biju (Finnegan Oldfield) é contada sob a lente sem concessões da realidade, cheia de olhares atravessados e sem empatia das pessoas.

E de quem seriam tais julgamentos acusatórios, senão da família, colegas da escola e até de desconhecidos? Longe de demonizar a sociedade, porém, a história traça um panorama sobre como a homossexualidade ainda é vista como tabu, em face dos estereótipos masculinos que são difundidos como modelo normativo, e que para muitos devem ser externalizados a partir da infância, do contrário “há alguma coisa errada”, “ele tem uma doença mental”.

Marvin é como muitos, rejeitado e insultado diariamente por quem é. Obrigado a recuar para dentro de si mesmo, interpondo a barreira da timidez e do isolamento como defesas naturais, ainda que limitantes. O resultado? Uma infância que poderia ser plena de autodescobertas da sexualidade, como caminho esperado da natureza humana, transtornada por uma visão deturpada e repleta de preconceitos, reforçados e perpetuados por cada um dos olhares, críticas e opiniões intransigentes supracitadas.

A introspecção melancólica que esconde um mar de dor e inseguranças.

Ainda que não seja um filme com uma direção que sobressaia esteticamente (algo em que a diretora Anne Fontaine se saiu melhor em 2016 com o ótimo Agnus Dei), a história por si só é eloquente o suficiente para sustentar toda a película. Ao ponto de, na mesma medida, indignar e provocar uma franca torcida pela superação do personagem-título.

Isso vale tanto para o segmento inicial, quando ele é uma criança fechada, de temperamento esquivo (infelizmente, a superação aqui se dá pela fuga), quanto para o segmento adulto, quando ele encontra através do teatro uma espécie de catarse. Um lugar para destrancar anos e anos de palavras não ditas. Para dizer um “basta, esse sou eu”, com todas as letras. Ainda que, dentro de uma perspectiva cultural, a visão taxativa em cima da rotulação da homossexualidade não seja fácil de mudar, e demande muito tempo até ser vista com empatia.

Quando finalmente Marvin se dá conta disso, passado e presente convergem e ele estará pronto para seguir em frente. Com todas as feridas. Com as dificuldades futuras. Porém, de cabeça erguida.

Curiosa participação surpresa de Isabelle Huppert como ela mesma.

Marvin também integra a seleção de filmes Festival Varilux de Cinema Francês 2018. Em Natal está sendo exibido na Cinépolis Natal Shopping, e será reprisado na segunda-feira, dia 18/06, na sessão das 17h. Imperdível!

Notas

Média