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Mãe x Filho: uma partida sem vencedores

Eu Matei Minha Mãe(J'ai Tué Ma Mère)

Classificação: 14 anos

Estréia: 15 de julho de 2009

Genêro: Drama

Nacionalidade: Canadá

Duração: 96 min

Nota do crítico

Crítica

Estreia do canadense Xavier Dolan atrás das câmeras, com apenas 20 anos de idade, o longa Eu Matei Minha Mãe, premiado em Cannes, foi escrito quando ele tinha apenas 16 anos, iniciando uma trajetória precoce e muito admirada pela melhor crítica internacional.

Apesar de soar incoerente, todos já matamos mamães por um dia, um mês ou um ano, num conflito de interesses épico que, talvez, nem a melhor doutrina freudiana conseguiu explicar suas nuances, em especial, no decorrer da adolescência.

O fato é que existe uma condição natural de existência que, não importa o que pensemos ou façamos, jamais modificaremos o status quo de ter nascido de alguém. Contudo, diante da falta de maturidade ou alteridade de qualquer ou de ambos os lados, pasme, somos capazes de indagar tal imposição, pois, como enuncia a máxima: “não somos obrigados”.

Na trama, Hubert (Dolan) e Chantal (Anne Dorval) se amam, mas se odeiam, não necessariamente nessa ordem, e gozam de uma convivência forçada, que extrapola os limites cordiais da tolerância, numa disputa sem vencedor, onde respeito e afeto restam apenas em raras memórias de outrora.

Xavier Dolan vai além ao mostrar que amor e ódio, nesse caso, ainda que vistos como extremos, estão separados por uma linha tênue, numa tentativa de ser empático com a realidade de várias famílias, onde somos levados a refletir que nem sempre a equação é exata: ter filho não significa ser mãe e ter mãe não significa ser filho.

Numa estrutura narrativa bem vanguardista, dialogando com o espectador de forma direta, e já imprimindo sua linguagem e um estilo de montagem que enalteceram sua marca, o cineasta coloca em cheque a incondicionalidade desse vínculo, sem quebrá-lo e sem titubear na mensagem que propõe transmitir. Afinal, sendo uma obra quase autobiográfica, boa parte do que foi encenado teve como fulcro causos da vida real de Dolan e a curiosa relação com sua progenitora, não havendo, portanto, espaço para entrelinhas.

Notas

Média