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Eu, meu filho e a imaginação

Adeus, Christopher Robin(Goodbye Christopher Robin)

Estréia: Sem previsão de estreia no Brasil

Genêro: Biografia, Drama

Nacionalidade: Reino Unido

Duração: 1h 47min

Nota do crítico

Crítica

Para quem se emocionou com Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível (2018), assistir Adeus Christopher Robin (2017), mesmo sendo uma experiência tão diferente, pode emocionar tanto ou até mais. Pois enquanto um envereda pelas vias da fantasia para compor um painel melancólico das tristezas humanas, o outro, mais atrelado ao mundo real, olha também com olhos tristes para temas da vida real, como solidão e relações familiares.

Adeus Christopher Robin narra parte da vida de A.A. Milne (Domhnall Gleeson), pai das histórias fabulares do Ursinho Pooh. De sua traumática incursão na Primeira Guerra Mundial, à relação distanciada que mantém com o seu filho, o pequeno Christopher Robin (interpretado pelo fofo Will Tilston). Um roteiro que tinha tudo para ser solar e expansivo, se revelando um passeio desencantado pela vida de uma família inglesa do século passado.

Primeiro, porque Milne é explorado, em suas camadas mais sombrias, como alguém que não superou o Transtorno de Estresse Pós-Traumático obtido da guerra, além do temperamento passivo assumido diante da esposa (Margot Robbie). Ela, por sua vez, intransigente em sua ambição de ver o marido cada vez mais produzindo peças literárias, mesmo que, tudo o que ele precise seja de paz de espírito e recomeçar. E por fim, o menino Robin, alguém à mercê do mundo adulto, para quem os afetos parentais ausentes encontram na figura da babá um substituto amoroso.

Um refúgio criado para se resguardar das tristezas da vida. No entanto, nem mesmo uma terra de inocência está completamente a salvo das efemeridades do mundo.

Esta é, em essência, uma história sobre rejeição/abandono familiar. Embora a gênese das histórias de Pooh (um pequeno oásis imaginativo entre pai e filho em meio à desesperança do período entre guerras) esteja lá, o foco é muito mais os sentimentos vivenciados pelos personagens, suas angústias e impasses que custam a se resolver. Principalmente quando os efeitos do meteórico sucesso da obra do pai começam a afetar Robin, e afastar ainda mais seus pais. Ou quando ele cresce, apenas para se tornar um adolescente em eterno conflito.

Quanto ao legado de Milne, seus personagens imortais, indubitavelmente representações de traços de sua personalidade (Leitão, por exemplo, a epitome do medo manifesto, uma imagem muito clara do escritor), conquanto tenham sido uma espécie de válvula de escape contra as tristezas, para ele e para toda uma geração, se converteram em ponto de dissonância para o escritor. Tardiamente compreendeu que o preço a pagar, a inocência e infância de Robin, foi alto demais.

Certamente, é um filme para não se esperar muito. É uma história simples que transcorre para esclarecer quem foi o biografado, como sua família o inspirou (de uma maneira que desejaria não tivesse acontecido), e como a imaginação ainda pode ser o melhor dos remédios para a alma.

Notas

Média