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Na Nova Zelândia também se contam piadas

Fuga Para a Liberdade(Hunt for the Wilderpeople)

Classificação: a definir

Estréia: a definir (Brasil)

Genêro: Aventura, Comédia, Drama

Nacionalidade: Nova Zelândia

Duração: 1h 41min

Nota do crítico

Crítica

De vez em quando é bom descobrir algum filme mais leve e descompromissado, que faça rir sem ser apelativo, e encerre com a sensação de ter entregado o que prometeu. Na época dos grandes blockbusters com tramas mais rebuscadas, até mesmo dentre as comédias, essa é uma expectativa que nem sempre se confirma.

Fuga Para a Liberdade / A Incrível Aventura de Rick Baker (2016), é um desses achados que fazem valer a pena o esforço cansativo de garimpar produções menos badaladas, a partir de críticas e resenhas promissoras que se escondem aos montes na internet. Esse é o trabalho anterior do diretor neozelandês Taika Waititi (mais reconhecido por trabalhar com a Marvel em Thor: Ragnarok e conceber o engraçadinho e vampiresco O Que Fazemos Nas Sombras).

A história, com pinta de filme família da Sessão da Tarde, apresenta as peripécias do garoto Rick (Julian Dennison, o sidekick marrento do Deadpool em seu segundo filme), recém-adotado pelo recluso casal, Bella e Hector (Sam Neill, saindo do semiostracismo com papel excêntrico). A situação de adaptação de Rick muda completamente quando se vê morando apenas com Hector e precisa voltar ao orfanato: ambos precisarão escapar através das matas selvagens se quiserem se manter próximos.

A trama é simples, sem muitos atalhos narrativos, porque o que interessa mesmo é mostrar como duas pessoas tão diferentes (Rick, impulsivo e inconveniente, e Hector, velho turrão e meio selvagem que se esquiva de interações) podem desenvolver um vínculo de amizade tão forte. Conquanto um filme divertido, a boa química entre os dois personagens garante que a jornada com que se deparam soe atrativa, angariando a torcida para que consigam escapar das ameaças.

Amizade improvável regada a muito pastelão.

Sobre o humor, Waititi contribui com um texto mais contido do que no surtado Thor: Ragnarok, com diálogos menos bobocas, e com um timing que alterna muito bem risadas e emoção. Se de vez em quando uma tirada parecer mais boba, bem, ainda precisamos lembrar que é uma comédia direcionada a todas as idades.

Fora isso, os personagens, caricatos na medida certa, estão afinados com o roteiro, e a ambientação nas paisagens neozelandesas garante belíssimas panorâmicas, ao mesmo tempo em que reforçam a aura de ameaça em torno da fuga. Elementos dosados corretamente e que fazem o ritmo do filme (pouco mais de 100 minutos) transcorrer rapidamente.

Esse misto de coming of age com filme de sobrevivência atesta o talento de Taika Waititi como contador de histórias, por mais absurdas que sejam. Sem esquecer a boa dose de escapismo a que mais produções deveriam se permitir, sobretudo aquelas que se levam muito a sério.

Notas

Média