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A Gênese de uma Maldição

Hereditário(Hereditary)

Classificação: 16 anos

Estréia: 08 de Junho de 2018

Genêro: Terror

Nacionalidade: EUA

Duração: 126 min

Nota do crítico

Crítica

Bem-vindos a mais um bom exemplo do que se convencionou chamar de “terror contemporâneo”. Explico: esqueça aqueles personagens com vestimentas e maquiagens macabras, aquela cenografia recheada de elementos inanimados prontos para aterrorizar, as trilhas sonoras sinistras e, principalmente, as temáticas bem ficcionais, que permeiam sobre a irrealidade das coisas que me questiono como ainda nos surpreende.

Sim, precisamos falar sobre as novas fórmulas do seguimento, que causam medo no espectador, dispensando a corriqueira equação, que já não produz lá a mesma sinergia com o público.

Nesse sentido, desde a sua estreia, no último Festival de Sundance, Hereditário já mostrou por que se reputa na principal aposta do gênero para 2018, a exemplo do que foi A Bruxa, em 2016.

No enredo, somos convidados a conhecer a Família Graham, que se despede da sua enigmática matriarca, Ellen, que, mesmo falecida, permanece como uma sombra ou um fardo, no cotidiano da filha Annie (Toni Collette) e da neta Charlie (Milly Shapiro).

A partir daí, sucessivos eventos que fogem às “condições normais de temperatura e pressão” são desencadeados, onde, aos poucos, mistérios da vida de Ellen são revelados a partir do plano espiritual e passam a arquitetar todo o arcabouço da trama.

Tudo é apresentado de forma muito natural, como um binômio causa/consequência, onde vislumbramos uma conexão entre o místico e o real, sem abusar de efeitos visuais para alcançar o resultado desejado: o terror.  Mais que isso, o longa aproxima os personagens – e o público – de dogmas, equivocadamente, relacionados pelo senso comum à doutrina espírita, que sempre assustaram os mais céticos. Você já deve ter feito a “brincadeira do copo” em casa.

A direção e o roteiro, espetaculares, do estreante Ari Aster optaram por uma narrativa mais lenta, imersa em uma atmosfera que, apesar de sombria, não alberga os costumeiros jump scares, bem trivial em obras de terror. Assim, a cada nova descoberta, nós, espectadores, nos tornamos cúmplices da maldição que não sabemos, até o plot twist , se é carregada no gene ou provocada pelos próprios protagonistas.

Falando em protagonista, assistimos à Toni Collette em uma das maiores atuações da sua carreira, que, indubitavelmente, promete um bom reconhecimento da crítica especializada. É uma pena que parte do elenco não conseguiu acompanhar tamanho mérito e sobressair com a mesma relevância.

Hereditário é um filme que traz o peso das escolhas, tantas vezes involuntárias, colocando em cheque a existência do livre arbítrio, como se fôssemos miniaturas em uma maquete  manipulada… por quem?

Notas

Média