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Noites brancas do pós-guerra

Guerra Fria(Zimna Wojna)

Classificação: 16 anos

Estréia: 20 de Dezembro de 2018

Genêro: Drama, Romance

Nacionalidade: Polônia, Reino, França

Duração: 1h 29min

Nota do crítico

Crítica

Final dos anos 40. Após um longo período de devastação e extermínio, uma nação tenta se erguer. Sob o jugo geopolítico dos soviéticos, a Polônia busca firmar uma identidade cultural através da música, ainda que o pano de fundo seja o da repressão stalinista.

É nesse pano de fundo que Wiktor (Tomasz Kot) e Zula (Joanna Kulig, excelente!) se conhecem. A história de amor diante de tal conjectura histórica exala a confusão e o constante sentimento de perda desse período: idas e vindas que (quase) nunca chegam a se concretizar plenamente.

À ambiguidade do desencanto, soma-se a música enquanto refúgio, registro de um povo cuja alegria se esvaiu. E que nas plangentes letras e acordes encontram uma espécie de bolha para tudo que vinha se sucedendo ao redor.

Verdade seja dita, não é um filme fácil. Há quem diga que é um falso musical. De qualquer forma, o ritmo inicialmente (e propositalmente) lento pode criar o julgamento errôneo de que a trama permanecerá no plano do convencional. Nada mais longe da verdade.

E parece ser sempre assim a relação entre Wiktor e Zula. Distanciamentos permeados pela imensidão acachapante do preto e branco.

A obra vai ganhando o espectador aos poucos. O marasmo cede lugar às elipses que recortam períodos-chave de tempo, ou de encontros entre os personagens. Ambos os atores, sublimes em sua atuação, conseguem impingir a marca indelével dos tempos aos seus personagens. Suas expressões tornam crível a melancolia de existir, o amor de repercussões shakespearianas e as inevitáveis escolhas.

Isso tudo com uma elegância visual notável. O diretor Pawel Pawlikowski, do oscarizado Ida (2013), resgata do seu último trabalho a fotografia esmagadoramente bela (que destaca e torna etéreas aquelas terras frias), a montagem sincopada, os enquadramentos que conseguem extrair mais do que os olhos conseguem ver, e o formato de tela 4:3, remetendo a um classicismo a muito esquecido em Hollywood.

Guerra Fria concorre ao Oscar desse ano nas categorias de Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Direção e Melhor Fotografia, e nas três, Roma (2018) é o favorito para faturar as estatuetas. Cabe destacar, porém, que Cuarón tem um concorrente de peso, com qualidades técnicas que alçam Guerra Fria a um patamar acima da média.

Notas

Média