Pular para o conteúdo

Hellboy passeia, sem sucesso, entre a comédia escrachada e o gore

Hellboy(Hellboy)

Classificação: 16 Anos

Estréia: 16 De Maio de 2019

Genêro: Ação, Aventura, Fantasia

Nacionalidade: Americana

Duração: 2h

Nota do crítico

Crítica

Inspirado pela literatura de H. P. Lovecraft, pelos monstros do expressionismo alemão e em lendas folclóricas de todo o mundo o quadrinista Mike Mignola criou o a série Hellboy, lançada em 1993 pela editora Dark Horse. Em 2004 a série foi adaptada aos cinemas pela primeira vez em sob a direção de Guillermo Del Toro, ganhando uma sequência em 2008. Pouco mais de uma década depois a série volta às telonas pelas mãos de Neil Marshall.

A trama desta nova adaptação é completamente diferente da primeira aparição do anti-herói nas telas de cinema, tendo como base o arco desenvolvido nas graphic novels “Clamor das trevas”, “Caçada Selvagem” e “Tormenta e Fúria”. Embora o conteúdo sobrenatural, uma das características mais presentes nas graphic novels, também seja uma parte importante do roteiro de Andrew Cosby, este não é o foco da produção.

Hellboy (David Harbour, de Stranger Things) é um híbrido humano – demônio trazido à Terra ainda bebê durante a Segunda Guerra mundial por um grupo de nazistas ocultistas.  Quando o grupo é derrotado pelos soldados aliados o garoto é adotado e passa a ser criado como filho pelo professor Trevor Bruttenholm (Ian McShane, da série “Deuses Americanos” e da franquia “John Wick”). Pai e filho possuem um relacionamento complicado e nem sempre transparente de ambos os lados.

Trabalhando como investigador para o Departamento de Pesquisa e Defesa Paranormal o protagonista descobre que precisará impedir o retorno da feiticeira Vivien Nimue.  A Rainha de Sangue, como era conhecida, representava uma ameaça tão poderosa à humanidade a ponto de precisar ser decapitada e esquartejada pelo próprio Rei Arthur.

Mila Jovovich interpreta a feiticeira Nimue

Ao procurar pela ajuda de seu pai, Hellboy é apresentado ao Clube Osíris, uma sociedade secreta britânica que tem como objetivo primordial combater as forças das trevas e suas influências sobre o mundo dos humanos. A experiência com o Clube acaba por trazer à tona segredos do passado de Hellboy que mudam completamente a perspectiva do anti-herói a respeito de seu pai e da trama na qual se vê envolvido. Sentindo-se traído e abandonado, o protagonista entra em conflito consigo mesmo ao precisar escolher um dos lados dessa batalha: Ficar contra os humanos, que muitas vezes o rejeitaram, e lutar ao lado se seus iguais, ou perdoar as omissões de seu pai e lutar ao lado daqueles que por muito tempo teve como família?

Clube Osíris

O longa envereda pela comédia com humor escrachado e pelo gore, contando com várias sequências violentas e muito, muito sangue na tela. Infelizmente, na tentativa de criar uma atmosfera carismática, leve e divertida o tom sombrio, parte da essência do personagem nas HQ’s, acaba se perdendo completamente, e ao tentar tornar-se um novo Deadpool (2016), o filme acaba por se perder de si mesmo.

Hellboy empunhando a Excalibur.

Ainda que tenha problemas narrativos (afinal, não é uma tarefa simples condensar um arco desenvolvido ao longo de três graphic novels em um filme de duas horas) e se distancie da identidade sombria das HQ’s, a nova adaptação de Hellboy para as telas é uma ótima maneira de apresentar o trabalho de Mike Mignola ao grande público, especialmente àqueles não habituados ao mundo dos quadrinhos.

“Hellboy” está em cartaz na rede Cinépolis Natal.

Notas

Média