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Fantasmas do passado

House of Cards(Sexta temporada)

Classificação: 18 anos

Estréia: 2018

Genêro: Drama, suspense

Nacionalidade: EUA

Nota do crítico

Crítica

A demissão de Kevin Spacey de House of Cards, acusado por denúncias de assédio sexual, deixou um vácuo na premiada série da Netflix, que se encaminhava para a sua sexta e última temporada. A missão dos roteiristas era imensa: como encerrar o programa sem a presença do seu protagonista? Essas questões foram, enfim, respondidas nos últimos oito episódios, lançados nesta sexta-feira (02), em pleno feriado do dia de finados.

Quem acompanhou as temporadas anteriores sabe bem que o casal Francis (Spacey) e Claire (Robin Wright) estava em rota de colisão diante de suas ambições pessoais de poder. Até então, acompanhávamos, como voyeurs, cada passo dado pelo casal para assumir o comando na Casa Branca, passando por cima de quem fosse necessário.

Claire, a presidente norte-americana, em sua incessante busca pelo poder

A casa de cartas que dá nome à série faz justamente referência a esse jogo de estratégias, chantagens e articulações em busca dessa meta, na condição de crítica contundente à política norte-americana (e por que não dizer da brasileira?). Na gangorra da vida real, a queda de Francis culminou com a ascensão de Claire ao posto de presidente dos EUA, atraindo para si todos os holofotes e fantasmas do passado.

Isso já vinha sendo meio que desenhado. Robin Wright era coprotagonista de House of Cards e com um papel tão importante quanto o do seu falecido marido (fato revelado nos traillers). Os desafios de Claire são inúmeros, além de se manter na presidência americana, teria que lidar com empresários poderosos que querem manipulá-la (novos personagens vividos por Diane Lane e Gregory Kinnear), o desafeto de antigos aliados e da imprensa, além dos vários esqueletos escondidos no armário dos Underwood.

Os primeiros episódios fazem bastante referência ao ex-presidente Francis e nem poderia deixar de ser diferente, tendo em vista o magnetismo e importância do personagem. E, mesmo sua presença diminuindo a cada capítulo, jamais escapamos totalmente do seu legado. Fazendo contraponto à “vilã” Claire, está Doug Stamper (Michael Kelly), principal aliado e assessor de Francis, e detentor de informações que poderiam colocar tudo a perder.

Robin Wright protagonista da sexta temporada de House of Cards

Nos oito capítulos finais, a trama avança bastante (às vezes de forma apressada) e acompanhamos cada jogada dos oponentes, com avanços e recuos de cada lado. Há um episódio em particular, que reúne boa parte do elenco, e disseca de forma genial o grau de manipulação e intriga que o seriado, como um todo, apresentou durante todos esses anos.

O final da série pode até dividir opiniões, mas condiz com o que o show vinha mostrando até então. O impacto poderia ser ainda maior, não fossem os acontecimentos da vida real que, ironicamente, afastaram Spacey da reta final. Poético? Trágico? O fato é que House of Cards chega ao fim deixando a herança de um seriado que soube quebrar a quarta parede (tornando seu público cúmplice de tudo o que aconteceu) e escancarar as entranhas apodrecidas da política contemporânea.

Notas

Média