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Madame sem graça

Madame(Madame)

Classificação: 14 anos

Estréia: 23 de março de 2018

Genêro: Comédia/Drama

Nacionalidade: França

Duração: 1h 31min

Nota do crítico


O casal americano Anne e Bob estão passando uma temporada em sua casa em Paris. Quando madame Anne vai servir um jantar para convidados ilustres, ocorre um contratempo e ela precisa colocar mais uma pessoa à mesa. Ela resolve incluir a sua governanta, Maria, escondendo dos demais a posição dela na casa. Mal sabe Anne que essa decisão vai lhe causar muitas surpresas e problemas.


Crítica

Quem espera encontrar uma comédia romântica em Madame (2017) irá se frustrar. Embora o filme mantenha um tom leve durante quase toda a narrativa, na verdade ele é uma comédia de costumes que satiriza relacionamentos e o comportamento social dos ricos. Infelizmente, o potencial da história se perde em um roteiro bagunçado e uma direção descuidada.

A princípio o longa nos convida a observar a dinâmica entre os personagens de Anne (Toni Collette) e Bob (Harvey Keitel), cujo casamento está cambaleando, e logo descobrimos rachaduras na vida aparentemente perfeita dos dois. Apesar de ostentar uma casa em Paris, Bob está cheio de dívidas, e aos poucos vemos que esse tipo de verniz e dissimulação é característica de quase todos os personagens.

Bonito por fora mais podre por dentro: falsidade e hipocrisia nos relacionamentos fazem parte da narrativa do filme.

A exceção é a governanta deles, Maria (Rossy de Palma), uma mulher sem disfarces, franca e calorosa. Mas quando ela sai do seu lugar de empregada e adentra o universo luxuoso de seus patrões como igual, Anne e Bob revelam que por trás da sua pose de liberais, eles são bem conservadores e rejeitam essa possível ascensão de Maria à classe deles.

Quem mais se irrita com a situação é Anne, apesar dela mesma não ser nenhuma aristocrata de berço e ter casado com Bob, um homem mais velho e rico que conheceu quando era sua instrutora de golfe. Anne também se ressente com o fato de Maria estar longe do ideal de beleza que ela se sacrifica para manter.

O preconceito de classes aparece no conflito entre patroa e empregada.

Ao menos em relação às atrizes o filme acerta em cheio. Rossy de Palma (musa do diretor espanhol Pedro Almodóvar) é dona de si e de sua aparência singular sem embaraço, o que casa perfeitamente com a honestidade de Maria. A escolha dela para o papel é algo que jamais se veria em uma comédia Hollywoodiana, onde atrizes belíssimas como Sandra Bullock se transformam em mulheres feias só pela adição de sobrancelhas grossas e um cabelo descuidado.

Ironicamente, Toni Collette, que interpretou alguns patinhos feios em sua carreira (em produções como O Casamento de Muriel e Em seu Lugar), ficou com o papel de antagonista linda e megera. O ponto positivo é que o longa faz algum esforço para não reduzi-la a uma simples vilã: para Anne, manter-se sexy e jovem é o equivalente a permanecer relevante (uma realidade para muitas mulheres, diga-se de passagem). Collette navega bem nas contradições da personagem, oscilando entre ser irritante, engraçada e digna de compaixão.

O roteiro derrapa mas as atrizes continuam firmes.

Os demais personagens têm um desenvolvimento pobre ou desaparecem e só voltam no final, e faz falta saber um pouco mais sobre os sentimentos e motivações de Michael Smiley (David Morgan), por exemplo. Além disso, o humor tem sua acidez diluída pelo clima fantasioso criado pelos furos no roteiro e pela direção que não parece saber muito bem como dar a guinada para o drama. As locações parisienses muito bonitas e em lugares suntuosos reafirmam a impressão de que se trata de um romance, algo mais leve no melhor estilo Cinderela, o que não é o caso.

A melhor cena de Madame fica mesmo no início  e é a sequência do jantar. Depois, o filme parece se enredar com as crises de Anne, joga informações sobre Maria que se tornam irrelevantes e se enrola para decidir se a protagonista é a patroa, a empregada ou as duas. O filme tem uma boa conclusão que, no entanto, parece desconexa dos atos anteriores e pode decepcionar. Com esse tema, o longa tinha tudo para ser divertido e provocador, mas não consegue se firmar nem como comédia romântica e nem como sátira.

Notas

Média