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Olhe o passado para ver seu futuro

Mirai no Mirai(Mirai no Mirai)

Classificação: Não definida

Estréia: Sem previsão de estreia no Brasil

Genêro: Animação, Aventura, Drama

Nacionalidade: Japão

Duração: 1h 38min

Nota do crítico

Crítica

A vida é uma sucessão de pequenos fatos cotidianos, uns empilhados sobre os outros. Todos formando harmonicamente uma unidade desconcertante, que engendra sentidos às coisas, e que confere muito mais do que linearidade à realidade.

Mirai no Mirai (2018), produção japonesa indicada ao Oscar desse ano na categoria de Melhor Animação, se propõe a abraçar o realismo fantástico justamente para ensejar uma reflexão lúdica, sem deixar de ser profunda, sobre o tempo e a beleza errática da vida. E talvez por ser tão acessível tenha caído rápido no gosto da crítica (com direito à ótima recepção em festivais de cinema pelo mundo) e do público, com mais de 90% de aprovação segundo o agregador Rotten Tomatoes.

Na animação, Kun é um garotinho que tem a exclusividade de afeto dos pais, o reizinho em torno do qual tudo gira. Tudo muda quando Mirai, irmãzinha recém-nascida, chega a casa, transformando as rotinas de todos com as novas necessidades imperiosas. De menino birrento à viajante improvável através dos mundos de sua imaginação, aprenderá lições importantes para nunca esquecer.

Passeio pelas terras da imaginação, ao lado de figuras familiares e, ao mesmo tempo, diferentes do que o pequeno conhece.

Visto à distância, parece uma trama frugal, bobinha mesmo. Mas já no primeiro ato a primeira impressão se desarma rápido diante das cenas cotidianas que são descortinadas, potencialmente geradas de identificação com o público adulto e infantil: os papeis de gênero nos cuidados familiares, as pequenas rusgas diárias, a rejeição de pai e mãe, sentida por Kun, seu comportamento agressivo e sabotador, as conquistas de cada aprendizagem nova daquele grupo familiar. Tudo é matéria-prima baseada em experiências vivenciadas por pessoas reais.

E no meio disso, os arcos que se passam em diferentes épocas, quando Kun, em companhia do cachorro na forma humana ou de uma versão crescida de Mirai, conhece um pouco de sua própria história. Depara-se com a circunstancialidade que cerca sua existência e entende que para ação ou decisão, há milhares de outras diminutas varáveis envolvidas. Pedaços de aleatoriedades lançadas ao vento, responsáveis também pelo que nós somos, hoje.

Mesmo que provavelmente não consiga bater de frente no Oscar com os grandes estúdios (Disney, Pixar e Sony), certamente não se pode ignorar o fato de que são cerca de 90 minutos que farão ficar atento(a), rir e pensar. E só por estes motivos, já valerá muito a pena conferir.

Notas

Média