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Brincadeira de gato e rato desarranjada

Mr. Mercedes (2ª Temporada, 2018)(Mr. Mercedes)

Classificação: 14 anos

Estréia: 22 de Agosto de 2018 (EUA)

Genêro: Suspense, Thriller

Duração: 60min

Nota do crítico

Crítica

O texto a seguir contém spoilers.

A adaptação em série da trilogia investigativa de Stephen King, Mr. Mercedes, ganha uma segunda temporada após um início promissor. Elogiada pela fidelidade à obra original, e condução eficiente de um clima de suspense que remetia ao gênero policial, sem dúvidas foram dez episódios que atraíram a atenção e um retorno positivo por parte do público, fãs ou não do mestre do terror.

Conforme se esperaria após o anúncio da renovação para uma nova temporada, o segundo livro da trilogia de Bill Hodges, Achados e Perdidos, seria a matéria-prima da vez. E eis que esse foi o primeiro erro dos produtores, ao ignorarem sumariamente o livro e a trama que se passa à revelia do psicopata Brady Hartsfield, e já adaptarem diretamente o terceiro livro, com o retorno do maníaco em estado vegetativo.

E talvez não tivesse sido uma má ideia, ao final das contas. Introduzindo um elemento que na superfície parece destoante (uma trama sobrenatural, com o antagonista ganhando capacidades de manipulação das pessoas), se bem aproveitado, poderia ter gerado duelos psicológicos tão instigantes quanto na primeira temporada, ou como representado no livro O Último Turno.

Retornando à vida… Não como era de se esperar.

E o que se vê, ao contrário, é uma história que se desvia sensivelmente do livro, introduzindo ideias que oscilam entre o desnecessário e o bobo. A começar por não manter o personagem do ator Harry Treadaway (como sempre, a corresponder ao que é requerido por seu personagem) em coma até o final da temporada, transformando aquilo que caminhava para o suspense sobrenatural para um drama de tribunal que, na intenção dos roteiristas, soaria como uma confrontação catártica dos traumas vividos por Hodges (Brendan Gleeson carismático, como de praxe, mas dessa vez com um material ingrato para trabalhar) e por Lou (Breeda Wool, sobrevivente dos eventos predecessores – algo inexistente nos livros), ao passo que personagens secundários ganham destaque, ou um princípio de desenvolvimento, ignorado sem cerimônias.

É o caso de Ida (Holland Taylor), que ganha um enfoque em sua vida amorosa; Jerome (Jharrel Jerome), e o drama de ser pressionado por todos (subtrama muito mal resolvida, por sinal); Dr. Felix Babineau (Jack Huston), que de personagem controlado e semi zumbificado, passa a antiético médico explosivo; e o próprio detetive Hodges, com um desenvolvimento bastante diferente do livro. Nada contra essas alterações, exceto pelo fato que não agregaram nada à narrativa, deixando-a mais morosa do que com um nível a mais de aprofundamento dos personagens.

E o que se espera a seguir? Uma terceira temporada já foi confirmada, e com ela, a incerteza se valerá a pena investir tempo nos dez vindouros episódios, sabendo que não se tem ideia de qual história será explorada (com a possibilidade, inclusive, de se investir em algo inédito). Que pelo menos se possa ter mais zelo e respeito por uma obra que tem os seus fãs, e que pelo menos na primeira temporada foi prontamente honrada.

Notas

Média