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Ninho cheio, encontros desastrosos

50 são os novos 30(Marie-Francine)

Classificação: 12 anos

Estréia: 07 de Junho de 2018

Genêro: Comédia

Nacionalidade: França, Bélgica

Duração: 1h 35min

Nota do crítico

Crítica

Síndrome da porta giratória

Já é um fenômeno mais do que discutido a saída dos filhos do lar familiar, uma tentativa saudável de alçarem voos mais altos e autônomos. Os pais costumam se ressentir do ninho vazio, e os filhos, mesmo com toda a disposição de assumir desafios, se sentem inseguros diante do mar de novas possibilidades, pelo menos à princípio.

O que pouco se discute, e que vem sendo cada vez mais observado em determinado ponto da vida, é a volta dos filhos ao ninho, processo sugestivamente chamado pelos estudiosos do desenvolvimento humano de Síndrome da Porta Giratória. Por diversos motivos: separação e/ou divórcio, dificuldades financeiras, ou simples conveniência, eles são atraídos novamente pela sensação de estabilidade. E claro, é muito comum haver braços abertos e efusivos os esperando.

No entanto, será tão fácil assim esse percurso de regresso? É possível, tanto para os pais quanto para os filhos aceitarem as mudanças estabelecidas, posto que cada um já se adaptou à vida longe de preocupações de cuidado, cada qual se voltando para suas próprias prioridades? E se o movimento ocorre tardiamente, ele se tornaria inofensivo?

É sobre estes pontos chamativos que se debruça a comédia francesa 50 São os Novos 30 (2017), um desses filmes leves e bobos que despontam aos montes nos cinemas (mais ainda, talvez, aqui no Brasil, com as histórias fáceis estreadas por um Leandro Hassum ou uma Ingrid Guimarães).

Comédia francesa padrão Globo

Não é filme para ficar encantado com atuações, nem para procurar surtos de criatividade estética. É uma produção assumidamente bem humorada, dessas que se ancoram na comédia de constrangimento (de tiradas engraçadas, e muitas outras, questionáveis), pondo seus personagens nas mais variadas situações.

Marie Francine (Valérie Lemercier) é uma mulher que após a separação, perda do emprego longevo e dificuldade de voltar ao mercado de trabalho, precisa achar um arranjo de vida adequado às suas atuais necessidades. Voltar à morar com os genitores é uma delas. A partir daí, o roteiro destila uma infinidade de incidentes que a fazem parecer o ser mais azarado do mundo, desde ser constrangida pelo ex-marido, a ter os pais se intrometendo em sua vida ou tentando controlar suas rotinas, e ainda, lidar com a chegada de um interesse amoroso na pessoa de um cozinheiro, o simpático Miguel (Patrick Timsit).

Mudanças nos esquemas de vida requerem adaptação, embora não seja um processo nada fácil.

Mesmo que algumas piadas possam disparar risadas, e as canções portuguesas sejam gostosas de ouvir, ainda permanece como um filme boboca no desenvolvimento de sua proposta. Não faltam ideias sem funcionalidade, como a inserção de uma irmã gêmea lá pelas tantas, reviravoltas de novela (que inexplicavelmente nunca chegam a se concretizar enquanto acontecimentos que poderiam alterar os rumos da história), e até piadas com flatulências.

É o pacote completo do típico filme popularesco. Deverá ter o seu público cativo, apesar da qualidade indigesta, e de ter um tema tão bom e atual para ser tratado.

50 São os Novos 30 foi um dos filmes exibidos na programação do Festival Varilux de Cinema Francês 2018. Em Natal foi possível conferi-lo no Cinépolis Natal Shopping.

Marie-Francine e seus pais superprotetores, rendendo tiradas dos mais variados tipos.

Notas

Média