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Nunca fale com estranhos

Baseado em Fatos Reais(D’apres une Histoire Vraie)

Classificação: 14 anos

Estréia: 12 de Abril de 2018

Genêro: Drama, Suspense

Nacionalidade: França, Polônia, Bélgica

Duração: 1h 40min

Nota do crítico

Crítica

E se Brian De Palma, em uma fase ruim, resolvesse dirigir uma nova versão de Louca Obsessão (1990)? Qual seria o (desastroso) resultado?

Parece que foi com essa ideia absurda que o octogenário Roman Polanski acordou em um dia aleatório, quando começou a desenvolver o argumento e se incumbiu a tarefa de dirigir a história de uma escritora de sucesso, manipulada e acuada por uma fã incondicional. Uma história que, sim, era promissora em sua concepção, mas que na prática se revela uma completa decepção.

E nem seria culpa das atrizes Emmanuelle Seigner (Delphine de Vigan, escritora) e Eva Green (admiradora). Ambas conseguem encarnar com acerto personagens que mantêm uma relação parasitária: uma contida em sua passividade ruminante, e a outra, agressiva em cada palavra ou atitude, armas usadas para invadir a vida de Delphine (as caras e bocas de Green, atriz normalmente over nas atuações, até ajudam nesse sentido).

Talvez, o grande problema do filme seja tentar soar crível com um ritmo tão corrido, em uma montagem de pequenas elipses que não tornam de maneira alguma palatável a história. Fora a aura erótica que permeia as duas personagens, a princípio fortemente sugerida, para logo depois ser descartada ou convenientemente esquecida.

Relações de poder que se revelam sem vagar.

E pior do que isso, ainda há o desfecho. Para não ser explícito ao ponto de soltar spoilers, basta dizer que é de um tipo batido, mais do mesmo. Aqui soando bobo, por ser já tão explorado no cinema, e por fazer o público se sentir enganado.

O mais assustador é saber por quem foi feito, o grande diretor dos clássicos O Bebê de Rosemary (1968) e Chinatown (1974), aparentemente com boa disposição, a julgar pelos recentes Deus da Carnificina (2011) e A Pele de Vênus (2013). O resultado é amador o suficiente (parece filme feito para TV, resguardado o respeito às boas produções televisivas dos dias atuais), ao ponto de se questionar se o lendário cineasta já não sente, sobremaneira, o peso da idade sobre o seu trabalho. Mais sorte da próxima vez para o Polanski.

Notas

Média