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As aparências enganam

O Bom Vizinho(The Good Neighbor)

Classificação: 12 anos

Estréia: 16 de Setembro de 2016

Genêro: Thriller, Drama

Nacionalidade: EUA

Duração: 1h 38min

Nota do crítico

Crítica

O Bom Vizinho (2016) é um dessas recomendações que se recebe de tempos em tempos de algum conhecido. Pouco resenhado, praticamente nada comentado, pode se revelar uma boa surpresa, a depender do humor de quem assiste, e da predisposição para gostar mais do drama, em detrimento do suspense.

Pois, a despeito das pistas iniciais e de uma aparente e intencional ambiguidade, o roteiro se preocupa muito mais em preparar terreno para revelar paulatinamente informações sobre o personagem de um septuagenário James Caan (O Poderoso Chefão – Parte I e II e Louca Obsessão). Na trama, ele encarna um misantropo idoso escolhido por dois adolescentes da vizinhança (Logan Miller e Keir Gilchrist – esse último do sucesso Atypical) para ser vigiado através de câmeras, sem saber, 24 horas por dia. Ao mesmo tempo, interveem sobre a casa manipulando luzes, porta e sons, para que o vizinho pense que ela é mal assombrada.

Nem todas as brincadeiras são inofensivas. E algumas não saem impunes.

O que era para ser apenas uma brincadeira juvenil, sem maiores consequências, vai tomando uma proporção incontrolável, na medida em que traços agressivos se revelam no personagem de Caan. O que rende momentos que, se não são verdadeiramente tensos, pelo menos garantem que o interesse do público se mantenha em um nível mínimo razoável para não deixar o filme de lado.

Narrativamente, algumas boas sacadas se destacam, desde o roteiro não linear, até o equilíbrio adequado entre as sequências de câmera escondida e as cenas de tribunal, quando avança algum tempo no futuro para mostrar um suposto julgamento em desenvolvimento (até o último momento, vago, sem revelar exatamente a que se refere). Talvez tenha faltado mais ousadia nesse quesito, mais experimentalismo, porém, nada que denigra o resultado final.

Quanto a James Caan, certamente escalado pelo currículo notável, aqui faz uma atuação até certo ponto apagada. Além do fato de aparecer uma quantidade de vezes limitada, com a provável intenção de realçar os mistérios em torno de sua figura, com prejuízo da ausência de sua persona magnética, que se faz notar em qualquer obra que estrele.

O desfecho, que tenta soar surpreendente, sem necessariamente ser (fora que se mostra moralista – “a que se faz, a que se paga”, parece querer martelar), ao menos prova a ideia inicial defendida pelos jovens de que a vida das pessoas pode ser afetada pelo simples contato de terceiros. Para o bem ou para o mal.

Notas

Média