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O bosque dos 100 corações

Christopher Robin - Um Reencontro Inesquecível(Christopher Robin)

Classificação: Livre

Estréia: 16 de Agosto de 2018

Genêro: Animação, Aventura, Comédia

Nacionalidade: EUA

Duração: 1h 44min

Nota do crítico

Crítica

Quem nunca ouviu falar do Ursinho Pooh?

Criado na primeira metade do século XX pelo escritor inglês Alan Alexander Milne, as histórias do urso bobo e as aventuras ingênuas com seus amigos animais ganharam fama através das animações da Disney, a partir dos anos 60. Desde então, dentre produções lançadas para vídeo e séries televisivas, a animação se fixou na memória afetiva de uma geração, sendo lembrada com um carinho que poucas histórias tiveram.

Em uma época com tantas incursões das animações clássicas para o live action (vide Mogli e o já em produção The Lion King), era mais do que esperado que cedo ou tarde a onda atingisse as histórias de Pooh. Christopher Robin: Um Reencontro Inesquecível (2018) pretendeu dar vida aos carismáticos personagens, em uma adaptação que tem tudo para ser uma das mais nostálgicas dos últimos anos.

E é exatamente esse ingrediente mágico que não falta ao roteiro: anos após ter se despedido da turma do Bosque dos 100 Acres, o pequeno Christopher (Ewan McGregor) cresceu. Com uma vida que o empurrou para uma triste rotina adulta (incluindo perdas familiares e o flagelo da Segunda Guerra Mundial), tudo o que sobrou da criança imaginativa de outrora ficou soterrado sobre preocupações e um mar de responsabilidades sem fim. Ao ponto de viver os dias de forma obsessivamente esquemática, de todo afastado da filha e esposa.

A infância ensaiando seu retorno. A presença de Pooh no mundo real significa bem mais do que um mero incidente do destino.

De antemão, e apesar da classificação livre, fica claro a pretensão do filme a um tom mais pessimista e melancólico. Como se fôssemos lembrados a todo o momento das concessões e frustrações da adultez, em detrimento dos anos mais felizes da juventude.

Não à toa, a direção ficou a cargo de Marc Foster (O Caçador de Pipas, Em Busca da Terra do Nunca), cineasta cuja bagagem fílmica é dominada por um olhar humano sobre a eterna sensação de perda e inconcretude, e o poder da amizade como um valioso paliativo. Sua contribuição reside também na estética apurada, com uma montagem feita de pequenas elipses, diálogos rápidos e fotografia de visual chamativo.

É um filme irrepreensível (e triste) em toda a sua primeira metade. Ainda mais com a aparição de Pooh na Londres do final dos anos 40. Deslocado, bobo como o roteiro faz questão de martelar, com tiradas involuntárias e de timing muito específico, típicas do humor britânico – enfim, alguém totalmente à margem da sua realidade – ele está pronto para resgatar o antigo Robin das brincadeiras despreocupadas.

Difícil um sorriso, pequeno que seja, não aflorar aos lábios, junto a uma sensação de calor no coração. Ainda mais para quem acompanhou na infância a animação saudosista.

Pena que a segunda metade oscile em ritmo, preferindo o aventuresco em detrimento do drama de reconciliação. O que não chega a ser demérito, uma vez que a história do Ursinho Pooh é isso: uma mescla entre aventuras pueris, e camadas de significação que definem a subjetividade das pessoas (a brincadeira envolvendo os arquétipos que Tigrão, Ló e Leitão representam, não é esquecida).

Fora isso, um desfecho não tão inspirado, que acaba por tirar um pouco do potencial do filme. Muito embora, por ser um produto mais autoral, se destaque pela singularidade dentro de tantos pasteurizados da Disney. E isso é verdadeiramente um alento.

Notas

Média