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O destemido e apagado piloto das estrelas

Han Solo: Uma História Star Wars(Solo: A Star Wars Story)

Classificação: 12 anos

Estréia: 24 de Maio de 2018

Genêro: Ação, Aventura, Fantasia

Nacionalidade: EUA

Duração: 2h 15min

Nota do crítico

Crítica

De imbróglios a expectativas frustradas

A franquia Star Wars voltou com tudo, isso é mais do que sabido. Natural que uma hora ou outra nem todas as expectativas fossem plenamente atendidas.

Quem assume o papel de ovelha negra na longeva saga vem a ser, justamente, aquele que mais suscitava curiosidade, Han Solo: Uma História Star Wars (2018). Por ser uma história de origem de um dos personagens mais queridos dos fãs, e pela direção que se esperava ser fora do comum de Phil Lord e Chris Miller (Anjos da Lei 1 e 2, Uma Aventura Lego), ambos demitidos antes mesmo da produção ser concluída.

Desde então, o veterano Ron Howard (No Coração do Mar, Uma Mente Brilhante) assumiu o pesado encargo na tentativa de pôr de volta nos eixos o conturbado projeto, além de acalmar os receios em torno da escalação de um novato (Alden Ehrenreich), em matéria de protagonismo, para assumir a persona do icônico piloto da Millennium Falcon. Se Howard conseguiu ou não um resultado satisfatório, bem, isso já é outra história.

Um inexperiente e impulsivo Han chamando para si, aos poucos, o foco das atenções, movendo uma trama aventuresca repleta de reviravoltas.

O cowboy mais apático do espaço

Em Han Solo: Uma História Star Wars, basicamente toda a origem do personagem é esmiuçada aos mínimos detalhes. Na trama, com a necessidade cada vez maior de hipercombustível e outros recursos, Han se envolve com um grupo de criminosos espaciais, dentre os quais estão inclusos Tobias Beckett (Woody Harrelson), Chewbacca e Lando Calrissian (Donald Glover). É o único meio de que dispõe para conseguir a passagem de saída do seu antigo amor, Qi’ra (Emilia Clarke), do planeta natal Corellia.

Visualmente é um filme que se destaca, com muitos efeitos práticos e paleta variada de cores, talvez até mais em relação aos outros filmes da franquia Star Wars. A ação, que casa bem com os efeitos, é frenética, praticamente presente do início ao fim. Todavia, para tristeza geral dos fãs, as qualidades param por aí.

Ehrenreich como protagonista e Clarke como misto de par romântico e femme fatale não possuem carisma algum em cena, ficando por vezes no limiar da atuação ruim (certo que nisso, os diálogos fraquíssimos não ajudam). Além disso, muitas sequências são dominadas por uma paleta escura demais que dificulta o discernimento da ação.

A estrutura toda do filme é muito procedural, mais uma série ininterrupta de desafios e fan services gratuitos (há uma necessidade tola de explicar tudo detalhadamente, que chega a enjoar – até o nome do personagem tem justificativa!), amarrados em um roteiro. No fundo, é uma narrativa com início e final interessantes, unidos por um miolo cansativo. Até chegar ao desfecho, a atenção do público já terá dispersado fácil.

Então, para você fã raiz que vibrou com a trilogia clássica, torceu o nariz para Jar Jar Binks e para o chato do Anakin na trilogia do início dos anos 2000, e voltou a sentir a velha nostalgia com a ressurreição perpetrada por J. J. Abrams mais recentemente; e para você também que acabou de conhecer a ópera espacial mais lembrada de todos os tempos; bem, a triste notícia é que Han Solo não é um capítulo (mesmo que seja apenas um spin-off) que honre à contento a franquia. Mais sorte da próxima vez.

Notas

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