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Um caçador espacial em maus lençóis

O Predador(The Predator)

Classificação: 18 anos

Estréia: 13 de Setembro de 2018

Genêro: Ação, Aventura, Horror

Nacionalidade: EUA, Canadá

Duração: 1h 47min

Nota do crítico

Crítica

Seguindo ladeira abaixo

Desde o primeiro filme, lançado em 1987, e ao contrário de seu primo distante (a franquia Alien, um autodenominado clássico do horror a partir do seu início), O Predador assumiu sempre um caminho errático, até mesmo quando optou por se reciclar. Não importa se vai da ação descerebrada à chacota autorreferencial em um pulo, a franquia nunca se levou muito sério, e talvez por isso tenha gerado exemplares tão diferentes entre si.

O primeiro filme, com sua horda de fãs saudosistas, alçou o ator Arnold Schwarzenegger ao status de brucutu pau-para-toda-obra. Jogado em uma selva qualquer, munido de um fuzil M16 lança-granadas do tamanho do seu braço (o que não é pouca coisa), precisou lidar com a criatura em uma bem bolada brincadeira de gato e rato, e um jogo de inversões. E pronto! Ingredientes suficientes para o filme ser uma bela diversão, lembrado com frequência anos após o seu lançamento.

Nenhum outro capítulo conseguiu igualar tal sucesso. Nem Predador 2 (1990), com um anêmico Danny Glover ofegando na selva urbana, entre traficantes colombianos e massacres sangrentos. Nem Predadores (2010) em sua fórmula de multiplicar as ameaças na trama interplanetária. E nem os dois vergonhosos crossovers produzidos no início dos anos 2000. Nenhum deles.

Ano novo, filme novo, os mesmos erros

Eis que chegamos a O Predador (2018), uma pretensa tentativa de se chegar às raízes da cinessérie, inclusive ao resgatar Shane Black para a cadeira de diretor, roteirista de diversos buddy cop movies oitentistas e, além disso, um dos atores que fizeram parte do elenco do filme original. O resultado, pasmem, é no mínimo decepcionante.

Na trama, novos predadores aportam à Terra, sendo que um deles é capturado para análises em laboratório. Com sua fuga e a iminente confrontação com outro ser, uma forma evoluída e mais poderosa, um grupo de ex-militares desajustados (liderados por Boyd Holbrook), uma cientista (Olivia Muun) e um garoto autista (Jacob Tremblay) estão sob grande ameaça e precisam sobreviver a todo o custo.

Não poderia dar outra: o filme é constrangedor! Os atores Boyd Holbrook e Trevante Rhodes (estrela do oscarizado Moonlight: Sob a Luz do Luar) emulam sem carisma a dinâmica de Schwarzenegger e Carl Weathers; Jake Busey e Thomas Jane servem apenas como buchas de canhão; e Olivia Muun se presta a personagem empoderada e, ao mesmo tempo, patética de tão irritante. Isso tudo amarrado em um arremedo de roteiro, diálogos dignos das chanchadas adolescentes americanas dos anos 80, e cenas escuras do início ao fim, escondendo o CGI horroroso.

Fora que a coisa mais ridícula de toda a franquia é ver Jacob Tremblay usando a máscara de predador como se fosse o fato mais natural do mundo. Abrindo portas de naves espaciais como se fossem de brinquedo. É o limite da razoabilidade e da suspensão de descrença transpostos à base da picaretagem.

Jacob Tremblay, o recém-revelado talento de O Quarto de Jack (2015) e Extraordinário (2017), adiciona um elemento infantil (e desnecessário) a este sci-fi de horror.

Fora as outras tantas bobagens do roteiro, um apanhado de ideias infantis, dignas de um desses “sessão da tarde” que passam hoje em dia na TV. Com direito a cães-predador que ficam amiguinhos e “predador-boss”, pessimamente concebido em relação ao tamanho e proporcionalidade.

E se ainda com este alerta em forma de texto você ainda quiser se arriscar, bem, aí é por sua própria conta e risco. Se não for doloroso o suficiente vê-lo, que pelo menos seja daqueles exemplares que possam ser facilmente esquecidos.

Notas

Média