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O passo que mudou o mundo

O Primeiro Homem(First Man)

Classificação: 12 anos

Estréia: 18 de Outubro de 2018

Genêro: Biografia, Drama

Nacionalidade: EUA

Duração: 2h 21min

Nota do crítico

Crítica

Este é um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade.

A frase proferida pelo astronauta norte-americano Neil Armstrong ao pisar na lua já faz parte do imaginário da maioria das pessoas, quase 50 anos depois do feito. Do imaginário de quem apenas pode observar a grande esfera amarelada da perspectiva terrestre; de quem sempre ansiou por vê-la de uma maneira que ninguém mais conseguiu, fora os intrépidos astronautas que um dia singraram a órbita lunar.

Nos anos 60, em pleno auge da corrida espacial entre Estados Unidos e a URSS, o desejo era apenas sonho distante. Motivação suficiente para a NASA traçar arrojados planos para conseguir ter a primazia e, portanto, a hegemonia espacial (símbolo também de supremacia política e econômica). Algo retratado com maestria no cinema, décadas posteriores, em filmes como Os Eleitos – Onde o Futuro Começa (1983), de Philip Kaufman, e Apollo 13 – Do Desastre ao Triunfo (1995), de Ron Howard.

O Primeiro Homem, a mais nova investida fílmica do garoto prodígio hollywoodiano Damien Chazelle (diretor de Whiplash: Em Busca da Perfeição e La La Land: Cantando Estações), é uma cinebiografia que se propõe a mostrar todos os desafios em torno da empreitada e da vida pessoal de Neil Armstrong, abarcando o período de 1961 à 1969. A despeito do que se poderia esperar, ela muitas vezes segue mais como um suspense tenso do que como um apanhado de fatos históricos.

Marcos da História: perdas e sacrifícios antecedendo os voos que começaram a descortinar os mistérios do espaço sideral.

Isso porque Chazelle conduz habilmente, com um rigor técnico notável, a primeira incursão lunar de uma equipe de astronautas. O ponto alto são as sequências de voos espaciais, claustrofóbicas, desconfortáveis, sempre na perspectiva do astronauta. Uma atmosfera construída eficientemente a partir da montagem afiada e da condução assertiva da trilha sonora, um elemento com vida própria dentro do roteiro (assim como o próprio o silêncio, quando se faz presente).

Destaque também para o personagem do Ryan Gosling, que lembra muito o obcecado Miles Teller de Whiplash. Constrói com economia de expressões faciais e gestuais (o que poderia incorrer erroneamente na impressão de fraca atuação) um tipo controlado, determinado a qualquer custo a chegar até a conclusão de seus objetivos. Os sacrifícios precisam ser compensados, não importa o que ainda se pode perder.

E talvez seja justamente esse o ponto frágil do roteiro: inserir de maneira crível um drama familiar sobre luto (elemento essencial à construção da personalidade inquebrantável de Armstrong), de modo a soar crível e passível de gerar empatia. Simplesmente esse background não funciona a contento, e os personagens, não só ele, mas de forma geral, geram certo distanciamento do público.

Ainda assim, é um grande filme. Um exercício técnico como poucos e uma bela contribuição para o lado mais cerebral do gênero sci-fi.

Notas

Média