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O senhor da barganha

Todo o Dinheiro do Mundo(All the Money in the World)

Classificação: 16 anos

Estréia: 1 de fevereiro de 2018

Genêro: Drama

Nacionalidade: EUA

Duração: 2h 12min

Nota do crítico

Crítica

“Tudo tem seu preço e eu vou pagar o mais baixo” parece ser o lema de J. Paul Getty em “Todo o Dinheiro do Mundo” (All the Money in the World). Getty (Christopher Plummer), magnata do petróleo e considerado o homem mais rico do planeta, não hesita em poupar e negociar cada trocado, como um velho dragão guardando seu tesouro.

Ele lava as próprias roupas para economizar o serviço de lavanderia no hotel, instala uma cabine telefônica em sua casa para que as visitas não usem seu telefone e quando seu neto Paul (Charlie Plummer) é sequestrado, ele se recusa a pagar um centavo sequer do resgate.

Para o homem mais rico do mundo o resgate de neto é um mau investimento.

A história é tão surpreendente que se não fosse inspirada em fatos reais seria difícil de conceber. O filme, é claro, adiciona várias reviravoltas e modela os acontecimentos para criar tanto drama quanto possível. O diretor Ridley Scott não reinventa a roda em “Todo o Dinheiro do Mundo”, mas consegue prender a atenção do seu espectador até o final.

O longa remexe a perpétua discussão de que dinheiro não é tudo na vida, e o sequestro de Paul se torna a moldura que revela as visões distintas de mundo de sua mãe Gail (Michelle Williams) e do ancião Getty.

O bilionário é um acumulador e colecionador, e Gail, ao contrário, está sempre mais preocupada com sua família. A ânsia de Getty é possuir e tudo vira objeto de barganha, até mesmo o seu neto. Não é coincidência que a enorme mansão do magnata é fotografada com cores frias e sempre está mergulhada em sombras, repleta de obras de arte mas quase sem nenhuma presença humana, parecendo quase um mausoléu.

Gail é a mãe que luta para resgatar o filho custe o que custar.

Nessa equação, o elenco se torna uma peça fundamental para conduzir o drama da história e vale lembrar que nesse ponto o filme sofreu um revés. O papel de Getty era de Kevin Spacey e o longa estava finalizado quando explodiu um escândalo no qual o ator foi acusado de assédio sexual.

Para não prejudicar seu filme Ridley Scott chamou Christopher Plummer para substituir Spacey e refilmou em 9 dias todas as cenas necessárias. Plummer, como o veterano que é aos 88 anos, encarna o personagem sem problemas, com sua autoridade e eficiência usuais, e recebeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por apagar esse incêndio.

Michelle Williams acabou meio esquecida entre todas as polêmicas envolvendo o lançamento do filme, porém a atriz faz um excelente trabalho retratando Gail Harris (ela sim, a protagonista do longa), e demonstra toda a preocupação materna sem cair no histerismo. Apenas Mark Wahlberg, que faz o negociador Fletcher Chase com sua falta de sutileza habitual, parece uma escolha estranha, mas que no geral não atrapalha em nada.

“Todo o Dinheiro do Mundo” é um drama convencional com um bom elenco e uma história singular como pano de fundo. Getty com certeza é um personagem memorável, com seu apego aos objetos  – os quais ama mais que as pessoas – e seu cinismo dissimulado.

Sua sede de poder lembra um pouco o anti-herói de Kevin Spacey, Francis Underwood, da série House of Cards, e não é difícil imaginar o ator ali. Mas ele também não faz falta, e Christopher Plummer é perfeito em nos apresentar um vovô calculista que ensina bem o valor do dinheiro.

Notas

Média