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Pequena ideia, grande desastre

Pequena Grande Vida(Downsizing)

Classificação: 14 anos

Estréia: 22 de dezembro de 2017

Genêro: Comédia, drama, ficção científica

Nacionalidade: EUA

Duração: 2h15min

Nota do crítico

Crítica

Qual a melhor solução para os impactos ambientais sobre o Planeta Terra, os problemas econômicos do mundo e o crescimento populacional? Reduzir o tamanho das pessoas. Pelo menos é isso que propõe a premissa do filme Pequena Grande Vida. O terapeuta ocupacional Paul Safranek (Matt Damon) tem um cotidiano pacato ao lado da esposa, Audrey (Kristen Wiig), quando vê uma chance de mudar de vida e resolver seus problemas financeiros se submetendo a um processo de miniaturização.

A técnica de sucesso criada há alguns anos pelo cientista norueguês Dr. Jorgen Asbjørnsen (Rolf Lassgård) promete acabar com os infortúnios por que passa a humanidade atualmente. Uma das microcomunidades criadas para abrigar as pessoas miniaturizadas é a Lazerlândia, que é vendida como o verdadeiro caminho para a felicidade. As propagandas definem o local como um paraíso onde só há moradores bem sucedidos, com casas luxuosas, espaços para lazer e todos os serviços de alto padrão a seu dispor.

Paul e Audrey veem no processo de miniaturização uma oportunidade de melhorarem de vida

A ideia de perfeição preconizada pela Lazerlândia, além de pouco crível, demonstra um vazio existencial no qual as pessoas se preocupam mais com os valores materiais e seu status dentro de um padrão pré-fabricado que dita o que é ser bem sucedido. As pessoas que lá residem parecem idiotizadas e deslumbradas com o Éden em que vivem. A impressão que dá é a de que a iniciativa serve mais como um meio de “futilização” e desprendimento da realidade do que, de fato, uma alternativa sustentável e benéfica para a vida no planeta.

O longa começa até bem, dentro do que se propõe, mas, na segunda metade, descamba para uma sucessão de acontecimentos desconexos. Além disso, não consegue dar o tom certo aos momentos de drama e comédia, patinando entre os dois sem se decidir o que quer ser. A inserção da personagem Ngoc Lan Tran (Hong Chau) dá uma guinada imprevisível à história. No entanto, o que poderia ser uma ótimo plot twist, termina por fragmentar o roteiro, o deixando confuso, sem sentido. Igualmente confusa é a direção de Alexander Payne, que parece não saber que rumo tomar e deixa o filme à deriva. Nem as atuações salvam o filme. Pelo contrário, o que se vê é um lastimável subaproveitamento de astros de renome como Matt Damon, Christoph Waltz e Kristen Wiig. A coadjuvante Hong Chau é quem ainda mostra um desempenho razoável, porém, sem muito a acrescentar a uma obra fadada ao fracasso pelo erro de condução.

Paul nem imagina as consequências imprevistas que sua escolha lhe trará

É difícil acreditar que a dupla Alexander Payne e Jim Taylor seja a mesma responsável pelos roteiros de Sideways – Entre Umas Outras (2004) e Os Descendentes (2011), que lhes renderam as estatuetas do Oscar. Com dois trabalhos elogiados no currículo, era de se esperar que dessem continuidade a essa frutífero celeiro de ideias. No entanto, o que se vê na tela é o contrário: roteiro e direção dignos de amadores, de alguém que ainda está engatinhando na arte de escrever boas histórias e ainda não consegue conectar bem os elementos a fim de obter um produto bem estruturado e fluido, de maneira a se tornar atrativo e, principalmente, coerente.

Pequena Grande Vida tem como ponto de partida um argumento interessante, mas se perde completamente no decorrer da trama. As discussões pertinentes que se propõe a fazer a respeito da preocupação com o meio ambiente e com o aquecimento global, da importância de buscar uma vida sustentável, da necessidade de mais segurança, de uma solução para o crescimento populacional e até mesmo a crítica ao american dream não atingem seu objetivo. São feitas pinceladas sobre cada assunto, mas sem o aprofundamento necessário. Parece mais uma colcha de retalhos inacabada sem um propósito claro e com um fim caótico. Ao final da projeção, fica para o espectador a sensação de tempo desperdiçado.

Notas

Média