Pular para o conteúdo

A poesia cinematográfica da minha vida

O Filme da Minha Vida()

Classificação: 14 anos

Estréia: 03 de Agosto de 2017

Genêro: Drama

Nacionalidade: Brasil

Duração: 1h53min

Nota do crítico

Crítica

Terceiro longa da carreira de Selton Mello como diretor, esta obra é uma adaptação do romance Um Pai de Cinema, do chileno Antonio Skármeta (sim, ele mesmo, o autor de O Carteiro e o Poeta) e mantém a veia dramática de seus trabalhos anteriores.

O Filme da Minha Vida conta a história de Tony (Johnny Massaro), que busca compreender a ausência de seu pai, Nicolas, interpretado por Vincent Cassel, que abandona a família sem maiores explicações.

As respostas que o protagonista cinéfilo busca durante as quase duas horas de projeção, aparecem para o público em idealizações, que beiram o realismo fantástico, entregando uma estratégia poética de lidar com os sabores e os dissabores da sua vida, enquanto sustenta a árdua espera por notícias de seu pai. Para tanto, a narrativa explora a presença do sensorial, como parte da percepção da realidade, distorcendo o tempo, para que o passado e o hoje se coadunem.

Nada disso seria possível sem o mérito da direção de Selton Mello, que sabe do teor de cada memória que vem à tona, convertendo o presente numa bela representação da relação familiar, seja em transições singelas, que exalam suavidade, seja fazendo com que o espectador esqueça possíveis fragilidades ou lacunas da adaptação do roteiro, o qual encerra a sua exibição sem desenvolver elementos coesivos, que justifiquem a (in) conclusão dos demais personagens.

A propósito, a escolha de Johnny Massaro, nosso Louis Garrel, como protagonista foi certeira. O ator consegue se sobressair ao ter o longa para si, entregando a doçura e a melancolia que o personagem exige. O tom poético de sua atuação é perfeito para demonstrar as duas facetas concomitantes da vida: fascinante e surrealista.

A fotografia de Walter Carvalho harmoniza muito bem com o argumento da obra e se configura em uma das mais belas das últimas produções latinas, graças à sua sensibilidade, que permeia entre a nostalgia e o romantismo, ora abusando de um efeito sépia, ora com cores mais intensas e acromáticas, ajudando a captar a magia das Serras Gaúchas no ano de 1963.

Bastidores de “O Filme da Minha Vida”

O filme é do Tony, mas poderia ser meu, seu ou de qualquer pessoa que enxergue, na tristeza, o afeto e a esperança de dias melhores. Mas o final, esteja você sorrindo ou chorando, já dizia o dono da história, “eu não posso contar.”

Notas

Média