Pular para o conteúdo

Quem foi Ingmar Bergman?

Bergman - 100 Anos(Bergman: A Year in a Life)

Classificação: Livre

Estréia: 19 de julho de 2018

Genêro: Documentário

Nacionalidade: Suécia

Duração: 117 min

Nota do crítico

Crítica

Ainda que você fosse um “bergmaníaco”, você jamais imaginaria que um ano, em especial,  foi crucial para estampar o nome de Ingmar Bergman na história do cinema e todas as nuances que adviriam a partir disto.

Assim é o mote, elegido por Jane Magnusson, para desenvolver o seu documentário sobre a curiosa figura do cineasta e dramaturgo sueco, que estreou no último Festival de Cannes e abriu a Mostra Lanterna Mágica, em cartaz na rede Cinépolis.

O filme, na verdade, é  uma pesquisa, ou melhor, uma investigação da diretora  sobre a vida de Bergman, tendo como argumento principal o ano de 1957, que, na sua concepção, teria sido o mais prolífico de sua estrada. Morangos Silvestres e O Sétimo Selo são duas provas eternas desse fato.

Desconstruir a filmografia de Bergman é desafiador, dada à complexidade das suas obras, que sempre denotaram uma narrativa muito autoral e de extremo apelo estético. Esmiuçar a sua biografia, sem mitificar a referência que se tornou, se reputa em tarefa de igual dificuldade. Diria quase impossível.

Entre escritos, entrevistas, depoimentos de parentes, ex-alunos, admiradores e colegas de trabalho, somos apresentados a um indivíduo enigmático e contraditório em seus gestos e palavras, numa desconstrução do próprio ser humano, onde optou-se por não pintá-lo como objeto de adoração, expondo suas diversas faces e facetas, como feridas abertas ao julgamento do melhor espectador.

É válido ressaltar que há peças-chaves ausentes ou pouco utilizadas para montar o quebra-cabeça em comento ao longo dos 117 minutos da projeção, a exemplo das atrizes Bibi Andersson, Harriet Andersson e Liv Ullmann. Todas musas, amantes e parceiras do cineasta, que, embora bastante evidenciadas, não colaboraram o suficiente ou não foram convidadas a participar do projeto.

Do inconsequente, passando pelo esquisito, ao mestre, questionamos se há mais por vir à tona nesse mar de revelações, mesmo na certeza de que sempre existirá mérito suficiente para ter o seu valor profissional estimado, pois, aqui, o legado perdoa e, se vivo estivesse, continuaríamos desconhecendo tantos fatos e não compreendendo suas incoerências, que, embora soem como absurdos, só agregam valor ao seu personagem na vida (ir)real.

Notas

Média