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Quem me matou?

Hotel Beau Séjour(Hotel Beau Séjour)

Classificação: Classificação indicativa 14 anos

Estréia: 01/01/2017

Genêro: Policial, sobrenatural

Nacionalidade: BEL

Duração: 500m

Nota do crítico


Jovem acorda em um quarto de hotel e descobre que foi assassinada. Perdida em nosso mundo, ela precisará da ajuda de algumas pessoas que conseguem se comunicar com ela – e que parecem ter algo a ver com a sua morte.


Crítica

Aqui no Brasil temos uma forma engraçada de nos referir a uma morte durante o sono: “foi dormir, e quando acordou estava morto”. Mas, é exatamente desta maneira que começa a interessante minissérie “Hotel Beau Séjour”, pois quando a protagonista acorda, descobre que ter sido assassinada.

Sem entender o que acontecera, ela passa a procurar quem e por que a assassinaram. O mais estranho é que algumas pessoas conseguem não apenas vê-la, mas conversar, agredir e até fazer amor com ela. Como e por quê? O espectador precisará acompanhar os dez episódios da série para descobrir.

Kato Hoeven (Lynn Van Royen) é uma linda e delicada jovem que mora em uma pequena cidade do interior da Bélgica. Como todos os jovens da cidade, ela sonha em sair dali, mas a diversão resume-se ao campeonato de motocross e ao clube de tiro da cidade.

O namorado de Kato é Leon Vinken (Maarten Nulens), a grande promessa de motocross da cidade, e ídolo local. Mas, na noite de seu assassinato, Kato havia rompido com ele, sem maiores explicações.

Sem se lembrar de nada o que aconteceu naquela noite, Kato descobre que consegue se relacionar como se estivesse viva com um grupo especial de pessoas. Entre elas estão seu pai, Luc Hoeven (Kris Cuppens), a filha do padrasto, Sofia (Charlotte Timmers), a melhor amiga, Ines (Joke Emmers), o corrupto chefe da polícia local, Alexander Vinken (Johan van Assche) e seu filho Charlie (Joren Seldeslachts), e um traficante de drogas, Vercammen (Jakob Beks).

Luc é alcoólatra, tem relacionamentos estranhos e leva uma vida amarga. Alexander Vinken é um policial corrupto que é tio de Leon e parece mais interessado na carreira dele do que com o filho, Charlie, que volta para casa depois de um internamento numa clínica psiquiátrica. Sofia é irmã de criação, cujo pai, Marcus (Jan Hammenecker) se casara com a mãe de Kato, Kristel (Inge Paulussen). Sofia invejava Kato, inclusive o namorado, e mostra um desejo oculto de ocupar seu lugar. Ines está envolvida com esquemas ilegais para ganhar dinheiro por conta de seu maior segredo.

Ninguém entende por que eles conseguem se comunicar com ela, embora todos pareçam ter alguma coisa a esconder, e possivelmente têm alguma parcela de culpa na morte da jovem.

A investigação do crime é feita pela delegada da polícia federal belga Beate Schneider (Renée Fokker), que precisa lidar não apenas com um serial killer, mas também com a incompetência e a corrupção da polícia local, que atrapalha mais do que ajuda.

O desenvolvimento da minissérie é magnificamente construído, de maneira que mesmo a protagonista se infiltrando em todos os ambientes, ainda assim precisa fazer sua investigação paralela, e só vai descobrindo a verdade a conta-gotas.

Produzida pela Netflix, e a exemplo do que foi feito em “Quatro Estações em Havana” e “A Casa de Papel”, a série usa atores locais, e ambientes pouco utilizados no cinema e na televisão. É uma maneira diferente de competir com a indústria cinematográfica, possivelmente com custos bem menores, e revelando um grande número de novos e velhos atores.

A jovem atriz Lynn Van Royen foi uma escolha acertada para a protagonista, e consegue passar ao espectador todas as suas dúvidas e inquietudes, ao mesmo tempo em que o coopta para descobrir o mistério de sua morte, mesmo que o destino final seja o seu completo desaparecimento.

A série tem uma abordagem diferente do sobrenatural, mostrando que os monstros piores ainda são os vivos, que levam o seu egoísmo às últimas consequências, preservando seus segredos e comodidades, mesmo que isso prejudique a única coisa que impede o descanso de Kato – descobrir o seu assassino.

“Hotel Beau Séjour” une-se ao Hall da Fama das boas séries europeias, inglesas, francesas, escandinavas, espanholas, que têm surgido para o mundo nos últimos anos. Não por acaso, boa parte delas tem sido produzida pela Netflix, que já deixou no esquecimento o tempo em que era simplesmente um serviço de entrega de DVD pelo correio.

Notas

Média