Pular para o conteúdo

A arte de ser Elton John

Rocketman(Rocketman)

Classificação: 16 anos

Estréia: 30 de maio de 2019

Genêro: Musical/Biografia

Nacionalidade: Reino Unido

Duração: 121 min

Nota do crítico

Crítica

Não é fácil produzir uma obra que desnude, em palavras, uma alegoria ambulante chamada Elton John. Talvez, por isso, imagino que as biografias lançadas, até então, no intuito de descrever o homem por trás desse personagem icônico, jamais conseguiram traduzir o que as cenas de Rocketman mostram na telona.

É que falar sobre Elton John transcende a escrita: é pintar uma aquarela com as cores de um arco-íris que você nunca viu; é colocar uma melancia na cabeça e acreditar que há um carnaval no palco; é usar a inconsequência e a impulsividade de seus atos para se regenerar de uma autodestruição anunciada.

Nesse sentido, o roteiro de Lee Hall nas mãos de Dexter Fletcher (sim, o mesmo que dirigiu Bohemian Rhapsody) soube passear pelas nuances da vida do artista, que conhecemos à luz dos holofotes, mas desconhecíamos quando habitava a pele do anônimo Reginald Kenneth Dwight.

Para tanto, o longa traz à tona a dor da infância e da adolescência negligenciada pela família, onde o abraço, nunca recebido do pai, encontraria refúgio nos primeiros passos com o piano. Mas não apenas isso: a homossexualidade enrustida, a dependência química que quase o levou à morte, a relação abusiva com o ex-agente e primeiro amor, John Reid, e a parceria eterna com o letrista Bernie Taupin também recheiam esse mix de peculiaridades que protagonizam a vida do cantor.

Nada do que é abordado, porém, lograria tanto êxito se não fosse a incrível atuação de Taron Egerton, que parece se doar quando o assunto é cinebiografia, a exemplo do que fez em Eddie the Eagle, quando interpretou o esquiador britânico Michael Edwards, arrancando elogios da crítica especializada.

 

Com uma direção de arte primorosa, que consegue nos teletransportar, entre cenários e figurinos, às décadas de 1960, 1970 e 1980, e composições clássicas (em versões inusitadas), que sempre embalaram pistas de dança, suítes de motéis e rádios mundo afora, Rocketman encanta com seu imaginário ilimitado, aliás, bem coerente com a mente criativa de Elton John.

Notas

Média