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Show me the money!

Nova Amsterdam(New Amsterdam)

Classificação: 14 Anos

Estréia: 24/04/2018

Genêro: Drama épico

Nacionalidade: Brasileiro

Duração: 110min

Nota do crítico

Crítica

Muito barulho… por nada!

O filme Nova Amsterdam permaneceu longos cinco anos em produção e pós produção. Teve sua estreia confirmada para setembro de 2017 e postergada para abril deste ano e, mesmo assim, foi anunciado que a versão exibida nos cinemas ainda não é a cópia definitiva e finalizada. De fato, é facilmente visível, até mesmo para olhos menos acostumados com a arte de se fazer cinema, que Nova Amsterdam peca em muitos aspectos.

Badalado muito mais pelo acúmulo de polêmicas envolvendo a origem de seu financiamento/patrocínios, é fato que muitos aguardavam sua tão alardeada e midiática estreia. Não era por menos, pois conta com um elenco Global, com vários rostos conhecidos da emissora, como Joana Fomm, Marcélia Cartaxo, Paulo César Pereio, Anselmo Vasconcelos e Leonardo Miggiorin.

Infelizmente, toda a expectativa cai por terra logo nos primeiros minutos de projeção. O que prometia ser razoavelmente cativante, devido ao bom argumento da trama e uma temática ainda inexplorada em nossa cinematografia nacional, é enterrado por uma sucessão de erros grotescos, quiçá primários, de direção, edição, fotografia, efeitos (ou defeitos?) visuais e sonoros, e mais. Muito mais.

Cena que introduz a atriz principal, a potiguar Thalitta Kumme

Uma invasão de… erros!

O longa é repleto de sequências esquizofrênicas, que perdem o fio narrativo a todo momento por uma montagem completamente equivocada, tornando o enredo extremamente picotado. Há também graves problemas na transição das cenas, muitas se sucedendo após um lapso temporal enorme e sem um mínimo de preocupação com a evolução dos eventos. Desnecessário dizer que o plot principal, que a princípio parecia ser a estória em si dos invasores holandeses e os portugueses envolvidos na batalha, misteriosamente se esvai para dar lugar a um novo plot focado em um romance água com açúcar à lá Titanic, com seu Jack e Rose particulares (em suma, muito menos carismáticos).

Entre o inicial cortejo, passando pelo primeiro beijo até chegar em uma gravidez de 9 meses, transcorrem-se poucos minutos, transmitindo uma verossimilhança às avessas assim como um sentimento de total incredulidade nos expectadores. Mais surreal é a brusca interrupção da estória de amor e sangue dos dois pombinhos potiguares para a introdução de um novo personagem, que rapidamente descobriríamos ser o vilão da estória e protagonista dos famosos massacres de Cunhaú e Uruaçú.

Os protagonistas do romance insosso de Nova Amsterdam

Houston, we have a problem!

Antes de mais nada, é importante mencionar que a utilização de certos recursos estéticos que fogem do padrão convencional e do belo é não apenas amplamente utilizado por grandes diretores de fotografia, mas um subterfúgio deveras recomendado e incentivado, que visa a romper a barreira do comum, do clichê. Assim sendo, o uso de imagens desfocadas para a construção de uma cena, tanto do ponto de vista estético quanto narrativo, é um recurso relativamente comum e bem perspicaz, se utilizado com sabedoria.

Entretanto, sabedoria é algo que aparentemente não pautou o plano de filmagem deste longa. O número de cenas desfocadas em momentos impróprios, de escolhas por enquadramentos errados (desde a decapitação flagrante dos personagens até a retirada do plano de ação de elementos fundamentais para a compreensão da cena) e da insistência por uma estética irritantemente novelesca, com seus planos fechados perenes e até mesmo sufocantes, ajudaram a compor a tragédia estética do filme.

Vale ressaltar a tentativa de engodo ao incluírem poucas e irrelevantes cenas abertas e até mesmo alguns planos zenitais (afinal, com tamanha verba pública ao seu dispor, por que não filmar do alto de um helicóptero?) mas que nada contribuem para o desenvolvimento do roteiro. A quantidade de cenas vazias e descartáveis é, diga-se, alarmante.

Edson Soares, diretor do polêmico filme

Why so serious?

Mais alarmante mesmo, apenas as origens obscuras do financiamento desta pérola cinematográfica. Ao fim da sessão, alguns críticos de cinema comparavam-no com o recentemente intitulado “pior filme do mundo”, The Room, brilhantemente parodiado por James Franco no filme indicado ao Oscar Artista do Desastre. Não, amantes do cinema, não é desta vez que temos nosso The Room particular. Ao menos o filme americano possui uma boa parcela de ingenuidade, que acabou abrandando o público e denotando um ressignificado cômico inesperado, até mesmo para seu idealizador (mas por fim abraçado pelo mesmo, diante do sucesso no novo formato). O que temos aqui é apenas um péssimo filme. Sem louros ou firulas adicionais. The End.

Notas

Média