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Somos todos humanos e animais

Carnívoras(Carnivores)

Classificação: 14 anos

Estréia: 28 de março de 2018

Genêro: Drama/Suspense

Nacionalidade: França/Bélgica

Duração: 98 minutos

Nota do crítico

Crítica

Quando drama e suspense se unem para conduzir um thriller dotado de muita tensão psicológica, não tem erro.

Carnívoras, primeiro filme dos irmãos e atores Jérémie e Yannick Ranier, aborda as nuances do curioso relacionamento de duas irmãs, que têm por ofício a arte cênica e, por desafio, a convivência diária que, aos muitos, disseca a inveja e o ciúme em sua face mais sombria.

O longa mostra que as conexões de parentesco, por mais íntimas que sejam, nem sempre foram e serão sinônimo de fraternidade, já que as diferenças e as indiferenças, quando em evidência, são maiores que os valores postos no seio familiar. Isso é facilmente perceptível no cotidiano de Mona Barni (Leïla Bekhti) e Samia Barni (Zita Hanrot).

 

Se Mona é a mais dedicada e a que sempre batalha por seus objetivos profissionais, Samia é a única agraciada por bons papéis, sem fazer muito esforço. Este é o tipo de jogo que não costuma virar na vida real (seja em razão de sorte, azar ou karma), em condições naturais de temperatura e pressão.

As consequências dessa injustiça são bem delineadas pelos diretores, que também assinam o roteiro: pontos para o segundo ato da trama, onde as dificuldades de Samia para desempenhar um novo papel e, por conseguinte, o seu desaparecimento, caem como uma luva para Mona se apropriar do sucesso profissional e pessoal de que nunca foi dona, e aliás, sempre invejou.

Leïla Bekhti está incrível na sua atuação. Inclusive, é válido ressaltar aqui o mérito da direção de arte que optou por designar um modelo de óculos na criação da personagem, que lhe conferiu uma imagem séria, fria e cínica para o desenvolvimento do enredo, ao passo que os cabelos revoltos e as roupas largadas de Zita Hanrot fazem-na parecer impulsiva e inconsequente. Os opostos aqui não se atraem, mas sim, rivalizam-se.

 

É neste seio que o longa prospera, justificando, metaforicamente, seu título canibal aos seres humanos, mostrando, assim, do que são capazes para alcançar seus objetivos. Afinal, somos todos animais.


Em Natal, você pôde conferi-lo no Festival Varilux de Cinema Francês, na Cinépolis Natal Shopping.

Notas

Média