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Por trás das paredes da felicidade

Suburbicon: Bem-Vindos ao Paraíso(Suburbicon)

Classificação: 16 anos

Estréia: 17 de Dezembro de 2017

Genêro: Drama, Suspense

Nacionalidade: Reino Unido, EUA

Duração: 1h 45min

Nota do crítico

Crítica

Assistir Suburbicon: Bem-Vindos ao Paraíso (2017) sem saber a sinopse ou conhecer os envolvidos se revela uma experiência familiar. Transitando entre o humor negro e a violência caricata, é o tipo de roteiro que cairia muito bem nas mãos dos irmãos Coen. E é exatamente isso que ocorre: ambos coassinam o roteiro, e o entregam à direção do ator George Clooney, com quem já trabalharam juntos em mais de uma ocasião.

Na trama, uma família residente em Suburbicon (o bairro perfeito, último reduto de paz em meio ao caos de mudanças sociais, econômicas e políticas dos anos 50) é vítima de um crime de motivos desconhecidos. As coisas se complicam quando o pai (Damon) e sua cunhada (Moore) começam a agir de modo estranho diante dos olhos confusos e desamparados do pequeno Nicky (Noah Jupe, o garotinho coadjuvante do recente Extraordinário).

Matt Damon e Julianne Moore: o verniz de civilidade esconde intenções e ações questionáveis, prontas para virem à tona.

Em outras palavras, uma óbvia alusão ao estilo de vida americano, o American way of life inquebrantável e incorruptível, suposto sinônimo de bem estar social. Uma ideia que é descontruída à medida que o lado soturno e psicopático dos genitores de uma família tida como “modelo” começa a ser revelado.

Ao mesmo tempo, e para corroborar à acidez do roteiro, além de ampliar a discussão para uma perspectiva coletiva, a chegada de uma família negra – de fato, algo baseado na história da primeira família negra a se instalar em uma cidade abastada do estado da Pensilvânia – é o gatilho para que seja desencadeada uma onda de intolerância, ódio e violência no bairro. E certamente esse é o primeiro ponto a diminuir o impacto do filme, o modo como um plot tão poderoso acaba sendo trabalhado de forma secundária, ajudando na contextualização, mas cedendo lugar ao foco que o crime em si recebe, e suas imprevisíveis consequências.

Uma delas, o surgimento do Roger, interpretado por Oscar Isaac, um corretor de seguros investigando as circunstâncias suspeitas do delito em questão. O ator entrou muito bem no espírito do filme, roubando cada um dos quinze minutos em que está em tela, talvez até deixando um gostinho de mau aproveitamento do seu verborrágico personagem. Uma presença que gera uma interação tão tensa quanto engraçada, o verdadeiro ponto alto do filme.

No todo, o resultado agrada visualmente e na construção caricatural dos personagens, mas soçobra na condução da crítica mordaz, em meio a soluções fáceis, ancoradas em deus ex machina. Talvez um dos motivos pelos quais, a despeito dos prêmios obtidos por Clooney no Festival de Veneza do ano passado, não tenha agradado tanto à crítica e ao público.

Também pudera. Conduzir uma sátira social, com comentário ao preconceito racial de uma época, amarrados por uma trama de assassinato, não é uma empreitada fácil, e requer mãos seguras e experientes, com um estilo próprio.

Notas

Média