Pular para o conteúdo

The Rocky Horror Picture Show ainda encanta gerações

The Rocky Horror Picture Show(The Rocky Horror Picture Show)

Classificação: 18 anos

Estréia: 14 de Agosto de 1975

Genêro: Comédia/Musical

Nacionalidade: EUA/Reino Unido

Duração: 1h40min

Nota do crítico

Crítica

Com pouco mais de 40 anos de seu lançamento, The Rocky Horror Picture Show ainda ganha fãs pelo mundo e, não por acaso, um remake estreia nos próximos dias.

O clássico, hoje grande referência do universo cult, foi adaptado de uma bem sucedida comédia musical, The Rocky Horror Show, de Richard O’Brien, que estreou nos palcos britânicos em 1973, e foi concebido para sessões de cinema destinadas a produções de orçamento reduzido, em geral classificadas como trash ou de conteúdo sexual, normalmente exibidas à meia-noite. A título de informação, pasmem, ainda está em cartaz em algumas destas salas nos EUA e na Europa. Há espectadores, inclusive, que vão vestidos a caráter para cantar e dançar suas músicas.

rocky-horror-image-1

Estamos diante de uma verdadeira homenagem aos cultuados longas de terror e ficção científica da década de 1930. A música Science Fiction/Double Feature, executada no início do filme, já traz consigo uma série de referências a Flash Gordon no Planeta Mongo (1936), Doctor X (1932), O Homem Invisível (1933), dentre outros. Porém, é válido ressaltar que tais citações não aparecem apenas em forma de singela homenagem, uma vez que, ao longo da película, vislumbramos nas cenas espaços, nomes e elementos desses filmes, os quais são revisitados com uma roupagem mais cômica e inusitada.

O musical inicia por um viés distinto do “flerte” metalinguístico que viria a seguir. Primeiro, uma cena de casamento, onde a função é apresentar o par romântico (Janet e Brad), interpretados por Susan Sarandon e Barry Bostwick. Após engrenar a pobre, mas cômica canção, Dammit Janet, o filme, de fato, anuncia o ritmo e a narrativa que apresentará ao longo de seus 100 minutos.

Após identificarmos os clichês inerentes ao gênero, como uma noite tempestuosa, um pneu furado e um castelo mal-assombrado como único abrigo, o espectador deve abandonar toda a coerência do enredo, das músicas e do encadeamento das cenas, pois é partir daí que o filme começa a se deslocar do trivial, numa tentativa de deturpar esses elementos cinematográficos, seja pela figura do dono do castelo, Dr Frank-N-Furter (um travesti e cientista alienígena, incorporado por Tim Curry), seja pelos seus servos: os irmãos Riff Raff (Richard O´Brien) e Magenta (Patrícia Quinn), e Columbia (Nell Campbell). A cereja do bolo é a mais nova invenção do Dr. Frank-N-Furter: o androide Rocky (Peter Hinwood), jovem, bonito e musculoso, criado especialmente para o deleite sexual do seu próprio dono.

A direção de Jim Sharmam e o roteiro de Richard O´Brien, muito bem adaptado por sinal, critica as máximas convenções sociais, de forma a ridicularizar o casamento como vício social e a virgindade pré-nupcial, principalmente quando opta por martirizar, ao invés de “vilanizar”, o seu anti-herói, que dissemina a libido e prega a liberdade sexual. Também afrontou a trivialidade dos gêneros fílmicos ao mostrar que o terror, o musical, a comédia e a ficção científica podem conviver sinergicamente em uma mesma obra. Entretanto, o roteiro, claro, está longe de ser perfeito, mas seus problemas são diminutos diante do que é proposto e, de fato, são mais perceptíveis em algumas cenas com duração desnecessariamente longa ou na saída abrupta de personagens do ato, sem maiores explicações.

Embora todos os atores estejam comprometidos com o lunatismo e a “bizarrice” do roteiro, o britânico Tim Curry parece se apropriar com maestria do personagem transgênero, com doses altas de loucura, cinismo, segundas intenções e malícia, que ainda o credenciam como uma das maiores atuações da sua longa carreira.

Não por acaso, The Rocky Horror Picture Show imprime a marca de seus personagens no inconsciente coletivo até hoje. Mérito não apenas das interpretações, mas também dos figurinos utilizados pelo protagonista, seus servos e Rocky (afinal, quem esquece aquela sunga dourada?).

rockyhorror

A cenografia é outro ponto de destaque. Inspirada em shows burlescos, explora bem a opulência dos espaços e das cores, criando um verdadeiro contraste que faz tudo no filme ser icônico em sua própria forma.

Quanto à trilha sonora, a maioria das músicas composta pelo próprio Richard O’Brien, possui uma precisa colocação entre as sequências da trama e são notórias as boas performances vocais dos atores. É incrível como algumas canções ainda permanecem na memória popular, a exemplo de Touch-a touch-a touch-me e Sweet Transvestite. A propósito, a trilha já foi reproduzida diversas vezes em filmes e seriados, como Glee e Cold Case, consolidando-a como atemporal.

Embora não tenha logrado êxito entre nomeações e premiações, The Rocky Horror Picture Show é um bom filme e reflete a época de sua produção, com as suas várias referências, músicas e performances marcantes, que ainda inspiram gerações a incorporar e exaltar suas próprias diferenças, quiçá loucuras, mesmo que para alguns soe como uma criação um tanto antiquada.

Notas

Média