Pular para o conteúdo

Uma decisão para 7 anos de punição

7 Anos(7 Años)

Estréia: 28 de outubro de 2016

Genêro: Drama

Nacionalidade: Espanha

Duração: 77 min

Nota do crítico

Crítica

Em um inverno qualquer, enquanto lia “O Caso dos Exploradores de Caverna”, de Lon Fuller, me vi inserido em uma contraposição de valores positivos e naturais, a exemplo de todos que o leram. Explico: na narrativa, um desmoronamento de terra deixa cinco membros de uma sociedade espeleológica presos em uma caverna, os quais optam por decidir, na sorte, quem servirá de alimento para os demais permanecerem vivos até que o resgate chegue ao local. Dias após, sãos e salvos, os quatro sobreviventes vão a julgamento por homicídio.

Há situações um tanto inusitadas como essa, que apesar de não colocarem o dueto morte/vida como objeto do pleito, podem requerer questionamentos acerca do que é moralmente justo frente às nuances particulares de cada um dos envolvidos, no intuito de alcançar um consenso, um veredicto. É disto que trata 7 Años, primogênita produção da Netflix na Espanha, que estreou mundialmente no catálogo, na última semana de outubro.

O filme é dirigido pelo diretor espanhol Roger Gual, pouco conhecido dos brasileiros, mas que já foi bastante premiado com seu longa de estreia, Smoking Room (2002), e narra o drama de quatro amigos, sócios de uma empresa, que por uma informação privilegiada, descobrem que serão presos por sonegação dolosa de tributos de seu estabelecimento. Dos males, o menor: uma decisão crucial a ser tomada durante uma noite pode evitar a ruína da sociedade e a prisão de três dos envolvidos. Para tanto, um deles deve atribuir a si toda a responsabilidade criminal, por “livre e espontâneo acordo”, e sacrificar sua liberdade por sete anos em prol dos outros.

Mas quem será o escolhido e quais os argumentos que o (a) fará confessar o crime e aturar o cárcere por tanto tempo? É o que acompanhamos ao longo dos 77 minutos da película, através de um debate mediado sobre a imprescindibilidade do indivíduo no âmbito profissional e pessoal versus embates éticos, morais e sociais que circundam o dilema. Uma problemática bem apresentada, com toda a tensão que a situação exigiria se real fosse, deixando o espectador atônito, também, diante de uma cenografia estática, haja vista um único ambiente cenográfico (o escritório da empresa), fato que, somado a ausência de maiores recursos técnicos, favorece, com primazia, a densidade da trama.
netflix-buena-k4zf-u202734994174efh-575x323rc

7 Años, destarte, é um drama muito reflexivo, que traz à tona toda a hipocrisia e hostilidade humana, com seus valores “sócio morais” bizarros, os quais, exteriorizados mediante diálogos ácidos, deixam mais transparentes a visão sombria do quão longe a humanidade é capaz de chegar para não violar o seu bem maior: a liberdade.

Confira o trailer, assista ao filme e torça pelo seu réu confesso predileto:

Notas

Média