Pular para o conteúdo

Uma sociedade literária fofa e um filme água com açúcar

A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata(The Guernsey Literary and Potato Peel Pie Society)

Classificação: Livre

Estréia: 10 de agosto de 2018

Genêro: Romance

Nacionalidade: Reino Unido

Duração: 2h4min

Nota do crítico

Crítica

Existe um termo em inglês que costuma ser usado para descrever aquele tipo de filme reconfortante: “feel-good” ou, traduzindo literalmente, um filme que nos faz “sentir bem”. A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata faz parte desta categoria, um longa para fazer o espectador se desligar do mundo e sair sorrindo no final.

Por meio de uma direção de arte bem feita, somos situados de início em uma Londres pós-segunda guerra que consegue ser elegante, sóbria e, ao mesmo tempo, deter um ar de fantasia nostálgico. E para completar essa atmosfera simpática, conhecer a protagonista é outro prazer, pois Juliet (Lily James de Mamma Mia 2) é uma figura imediatamente carismática. Interpretar essas personagens vibrantes e de sorriso aberto já se tornou praticamente uma especialidade da atriz.

Lily James cativa rapidinho o espectador em mais uma personagem simpática e alegre.

Juliet é uma escritora em busca de inspiração para seu próximo trabalho, e a encontra na história de um grupo de pessoas que começou uma sociedade literária na ilha de Guernsey de um jeito bem peculiar, diga-se de passagem durante a ocupação nazista no local. Então ela parte para a cidadezinha, ainda mais encantadora que a charmosa Londres, graças às belezas naturais das locações e fotografia que contrasta os dois lugares, fazendo a ilha parecer idílica.

O elenco que, além de Lily James, conta com os veteranos Tom Courtenay, Penelope Wilton e outros atores competentes, formam um grupo igualmente simpático de coadjuvantes. Dawsey, interpretado por Michiel Huisman (de Game of Thrones), consegue ser um tipo raro de galã, o sensível, que conquista por sua simplicidade e gestos sinceros.

O grupo de coadjuvantes completa a receita para um filme leve.

E como todo romance novelesco que se preze precisa ter um triângulo amoroso, aqui ele ao menos serve para intensificar a diferença entre a vida na metrópole e no campo, porque o pretendente de Juliet na cidade grande é o boêmio e extrovertido Mark (Glen Powell), o completo oposto do discreto Dawsey em personalidade, figurino e até na cor do cabelo.

O roteiro entrega bem cedo como o filme vai terminar, porém, ele não é de todo previsível. A chegada de Juliet para conhecer a sociedade, por exemplo, é interessante pois a escritora não é imediatamente bem recebida. O grupo fica inibido e suas reações variam entre simpatia, desconfiança, formalismo e embaraço, ou seja, como realmente acontece quando interagimos com estranhos pela primeira vez.

Os clichês românticos favoritos combinados com algumas surpresas deixam a história interessante

O filme também quebra um pouco as expectativas ao introduzir um mistério, que é revelado aos poucos através de flashbacks à medida que Juliet o desvenda. Isso acrescenta um drama inesperado, além de despertar curiosidade e funcionar como contrapeso para as partes mais melosas da história. No entanto, a seriedade desse fio narrativo é bastante suavizada, afinal, este não é um filme para fazer chorar.

Há muito espaço, no entanto, para se falar em gentileza, união, empatia, as vantagens de uma vida simples e outros temas queridos a filmes bem água com açúcar. Mas A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata é doce sem ser enjoativo demais e tem uma mensagem que gostamos de ouvir. Se você é aquela pessoa “sentimental demais”, como canta Altemar Dutra, vai se divertir com o longa.

Notas

Média