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Unidos da Caverna Futebol Clube

O Homem das Cavernas(Early Man)

Classificação: Classificação indicativa livre

Estréia: 5 de abril de 2018

Genêro: Animação, comédia

Nacionalidade: EUA, Reino Unido

Duração: 1h29m

Nota do crítico

Crítica

Como este ano acontece a Copa do Mundo de Futebol, não é de admirar que a promoção do esporte atinja todos os cantos do planeta, todos os veículos disponíveis, e – por que não – o próprio cinema também faz a sua contribuição, com uma deliciosa animação que encantará até mesmo quem nunca se interessou pela bola: “O Homem das Cavernas” (“Early Man”, EUA, 2018).

Não é fácil fazer filmes sobre futebol, pois o maior encanto do esporte é exatamente a inventividade, o improviso, o acaso, e até mesmo a sorte ou azar, que permite a um time pequeno vencer um grande. Vários filmes sobre o esporte fracassaram pois tudo parecia demasiadamente artificial.

Assim, usar todas essas características do futebol em uma animação pareceu ser a melhor solução, já que haveria o controle total sobre os “atores” e os eventos. Obviamente que para haver um bom filme, é preciso ter uma boa história. Junte-se a tudo isso um maravilhoso trabalho de moldagem com massinhas, e chegou-se ao resultado esperado.

Numa época pré-histórica, quando homens primitivos e dinossauros conviviam lado a lado, tudo muda quando um misterioso objeto cai do espaço, provocando uma enorme explosão e criando uma zona diferente, onde a vida vegetal se tornou exuberante, enquanto o resto do planeta permanecia um grande deserto.

O tal objeto é encontrado pelos homens sobreviventes e, como estava muito quente, foi passando de mão em mão, depois de pé em pé, e assim foi criado um novo esporte.

Muitas eras depois, encontramos uma tribo ainda vivendo a Idade da Pedra, e sobrevivendo da caça a pequenos animais. A pessoa que tentava mudar isso era Dug (voz de Eddie Redmayne), um jovem inquieto, que queria transformar as condições de vida de sua tribo.

Tudo sofre um grande impacto com a chegada dos homens de Lord Nooth (voz de Tom Hiddleston), o comandante de uma cidade da Idade de Bronze, que buscava mais e mais fontes de metais para assegurar o seu poder.

Dug é levado para a cidade de Nooth por acaso, e lá descobre muitas coisas novas, inclusive o futebol, que era a grande ferramenta de marketing do tirano. Ele decide criar em sua tribo um time de futebol para desafiar o poderoso time de Nooth, e assim garantir a volta para o vale de onde tinham sido expulsos. A única ajuda que tem é da simpática Goona, ela mesma uma excelente jogadora, mas impossibilitada de entrar em campo porque era mulher.

As peripécias no treinamento e na batalha final em campo são hilárias e sensíveis, sendo trabalhados não só os valores de habilidade no esporte, mas também o trabalho em equipe, saber o objetivo a alcançar, e também explorar as forças e fraquezas tanto do seu time quanto do adversário.

Confesso que fiquei maravilhado imaginando o trabalho colossal de fazer todos os personagens de massinha, com expressões faciais e tudo, arrumá-los todos em uma disposição, fazer a filmagem de alguns segundos, e depois refazer tudo para a próxima cena! Essa técnica, denominada Claymation (Clay Animation ou animação em argila) tem raízes antigas no cinema, sendo adotada também o nome Stop Motion.

Muitos filmes usaram essa técnica, principalmente sob o comando de Ray Harryhausen, criador de títulos como “Simbad e a Princesa”, “As Novas Viagens de Simbad” e “Simbad e o Olho do Tigre”. Muitos filmes recentes também adotaram a técnica, como “Frankenweenie”, “A Noiva-Cadáver” e “O Estranho Mundo de Jack”, de Tom Burton, “Coraline e o Mundo Secreto”, de Henry Sellick, “ParaNorman”, de Chris Butler, e “Kubo e as Cordas Mágicas”, de Travis Knight.

O diretor de “O Homem das Cavernas”, Nick Park, já usara brilhantemente a técnica antes em “A Fuga das Galinhas” (“Chicken Run, 2000) e “Wallace & Gromit – A Batalha dos Vegetais” (“The Curse of the Were-Rabbit”, 2005).

Apesar de várias referências externas que só adultos entendem, “O Homem das Cavernas” é um produto voltado para o público infantil, mas certamente divertirá quem for assistir. É bom vermos coisas assim numa era cada vez mais mercantilista e impessoal.

Notas

Média