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WiFi Ralph vem com problemas de conexão

WiFi Ralph: Quebrando a Internet(Ralph Breaks the Internet)

Classificação: Livre

Estréia: 3 janeiro 2019

Genêro: Animação

Nacionalidade: EUA

Duração: 1h 52min

Nota do crítico

Crítica

As sequências de filmes sempre encaram o desafio de achar algo novo dentro do seu universo para ser explorado. Em WiFi Ralph a solução encontrada pelos roteiristas foi levar seus personagens do mundo analógico para o digital, mas ficar online não foi suficiente para uma garantir uma continuação tão divertida quanto Detona Ralph.

Depois que uma peça do jogo “Corrida Doce” quebra, Ralph e Vanellope (que se tornaram melhores amigos depois dos eventos do primeiro filme) precisam entrar na internet para conseguir a reposição da parte antes que o fliperama descarte o jogo deles.

De início, a maneira como o longa traduz a dinâmica da interação online é engraçada e interessante. Avatares de cada pessoa navegando na internet circulam por sites, representados por diversos prédios, como se a rede fosse uma cidade infinita.

A fase de descobertas da internet rende boas piadas, mas rapidamente perde a novidade. A internet em WiFi Ralph não é como os jogos de fliperama, cada um com sua aparência única, o mundo online é mais uniforme, o que não deixa de ser uma perda em um dos aspectos visuais mais atraentes do primeiro filme.

Ralph e Vanellope estão online

Mas o roteiro, de modo geral, é o ponto mais fraco do longa e se resume, basicamente, a uma briga entre amigos. Ralph e Vanellope tem oito horas para juntar dinheiro e comprar a peça que irá salvar a Corrida Doce. No entanto, enquanto Ralph está focado na missão, sua amiga tem dúvidas se voltar para o jogo seria assim tão bom.

Ralph passa a gravar vídeos aleatórios para “bombar” no Buzztube e conseguir likes, ou seja, nada de muito emocionante acontecendo aqui. A partir desse ponto, começa a ficar evidente que todo o esforço do personagem não terá relevância nenhuma dentro da narrativa.

Para criar algum conflito, a história coloca Ralph lendo comentários maldosos sobre seus vídeos, e tenta dar uma lição de moral que acaba por soar falsa pela sua patente superficialidade.

Vanellope, por sua vez, lá para as tantas simplesmente para de ajudar o amigo e parte em uma jornada de autoconhecimento, que rende um dos números musicais mais desnecessários já visto em um longa. O prazo de oito horas, que parecia urgente no começo, perde completamente o sentido quando parece que só Ralph está contando os minutos.  

O mega conglomerado da Disney aproveita a desculpa da internet para reforçar a própria marca, trazendo nada menos que todas as suas princesas (e mais alguns personagens) para fazerem pontinhas. Ao menos estas cenas funcionam por terem uma certa dose de auto ironia, e injetam um pouco mais de humor na história.

WiFi Ralph tem o maior crossover da história da Disney

Interessante que o “Corrida Doce” tem vários outros personagens que ficaram sem um jogo para morar, mas em momento algum eles são lembrados por Ralph ou Vanellope, que só parecem se interessar em resolver seus próprios problemas.

Curiosamente, Ralph acaba se tornando o antagonista do seu próprio filme devido as suas inseguranças, um verdadeiro retrocesso em relação ao primeiro longa, no qual tentava provar, justamente, ser mais que um vilão.

Tudo para que a história pudesse ter uma lição sobre amizade que poderia se resolver em meia hora com uma conversa entre os personagens. É verdade que WiFi Ralph consegue entreter em alguns momentos, mas falha na hora de estabelecer uma conexão emocional com sua plateia.

PS: O filme tem uma cena pós crédito imperdível, fica a dica.

Notas

Média