“O Menino e o Mundo” – quatro entrevistas com o diretor

O talentoso diretor e animador Alê Abreu ganhou espaço na mídia nacional após a indicação de seu filme ao Oscar 2016

A indicação ao Oscar de Melhor Animação de 2016 trouxe luz ao filme O Menino e o Mundo (2014) e seu celebrado diretor Alê Abreu. O filme, feito de uma forma bastante peculiar (quase artesanal com lápis de cor, giz de cera, colagem e pintura), concorreu com trabalhos produzidos com tecnologia de ponta de Computação Gráfica. Para o diretor paulista, manter a personalidade da animação produzida no Brasil é o grande trunfo na conquista de um espaço majoritariamente dominado pelos blockbusters do ramo produzidos pela Pixar / Disney.

Desde os 13 anos, quando fez seu primeiro curso de animação, Alê Abreu estava convicto que este seria a profissão que iria abraçar. Após muitos trabalhos (dentre os quais foi ilustrador de revistas) e sua primeira experiência em animar e dirigir um longa-metragem com Garoto Cósmico, Alê se preparava para fazer Canto Latino, um anima-doc (documentário com animação) sobre a América Latina, narrando os 500 anos da origem da denominação do continente.

Dois anos viajando como mochileiro pela América do Sul trouxeram muitas experiências e novas ideias. Alê relata que o “Menino”, a ideia do filme, o “encontrou” e que o projeto Canto Latino deveria esperar mais algum tempo. Sem um roteiro pré definido, o surgimento de O Menino e o Mundo foi orgânico. Isso foi fundamental para o frescor do percurso narrativo, apesar de descrever todo o processo de exploração de uma grande metrópole em relação a um país do dito terceiro mundo.

O_Menino

Diante da repercussão positiva pela indicação ao Oscar (o qual o filme brasileiro perdeu para o concorrente norte-americano DivertidaMente), o filme de Alê Abreu foi relançado no Brasil e muitas entrevistas foram feitas para saber da expectativa do diretor diante do prêmio da Indústria Cinematográfica norte-americana.

O SetCenas escolheu algumas entrevistas realizadas antes do resultado da premiação no intuito de revelar, por meio da fala do diretor, detalhes de seu processo criativo, suas motivações e seu olhar de cineasta.

Antes de apresentarmos os vídeos, é oportuno citar a seguinte opinião de Alê Abreu diante de sua obra:

Quando a gente termina o filme, você não sabe o que você fez. A primeira sessão com o filme geralmente é a que mais “te mata”. A primeira sessão com público. Até então você assiste mil vezes… você está lá montando… Quando você assiste com um pessoal, com o público, parece que […] abre uma cortina e pela primeira vez é permitido você assistir o filme que você fez. É até uma questão de energia ali na sala. Você sente a vibração das pessoas.

 

Filmografia:

Viajantes do Bosque Encantado (em produção. Previsão de estréia: 2018)

O Menino e o Mundo (longa-metragem, 2014)

Vivi Viravento (Animação para a TV, 2009)

Passo (curta-metragem, 2007)

Garoto Cósmico (longa-metragem, 2007)

Espantalho (curta-metragem, 1998)

Sírius (curta-metragem, 1993)

 

Premiações:

O Menino e o Mundo ganhou ao todo 34 prêmios, dentre os quais o Festival de Cinema de Animação de Annecy (França), considerado o “Oscar da Animação”, e Festival de Cinema de Lisboa (Portugal).

 

01. Entrevista para Designbook Tok&Stok

“Não sei se é  [o diretor] Jorge Furtado quem fala que fazer um filme é colocar uma mensagem na garrafa e jogar no mar. Você nunca sabe quem vai receber a mensagem”, veja o vídeo:

 

02. Entrevista para o canal de MariMoon

Em entrevista com a ex-VJ da MTV MariMoon ele afirma que “fazer arte é acreditar profundamente na Arte”:

 

03. Participação no programa Metrópolis (TV Cultura)

“O Alê concentrava além da direção, a direção de animação e boa parte da produção acabavam sobrando para ele”, afirma Priscilla Kellen, coordenadora artística do filme, em entrevista juntamente com Alê Abreu para o programa Metrópolis:

 

04. Programa Vem Comigo

No programa Vem Comigo, Alê apresenta o seu local de trabalho e mostra como surgem algumas idéias para seus filmes: rabiscos e textos guardados em uma pasta de nome “incubadora”. O diretor e animador cita a frase: “O artista não é nem a raiz, nem as flores; ele é o tronco. Ele é só um meio de tirar algo de algum lugar e deixar florescer em outro”:

 

Fontes: Wikipédia – O Menino e o Mundo, Wikipédia – Alê Abreu.